{"id":1574,"date":"2021-08-18T17:20:59","date_gmt":"2021-08-18T16:20:59","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=1574"},"modified":"2022-02-25T12:04:34","modified_gmt":"2022-02-25T12:04:34","slug":"figueira-da-foz-e-a-economia-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/figueira-da-foz-e-a-economia-local\/","title":{"rendered":"Figueira da Foz e a economia local desde a sua g\u00e9nese&#8230;."},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">Come\u00e7amos por ter <strong>documenta\u00e7\u00e3o escrita sobre as salinas na Figueira da Foz<\/strong>, atrav\u00e9s da doa\u00e7\u00e3o testament\u00e1ria de Sisnando Davides, Governador de Coimbra, ao Abade Pedro <strong>em 1096<\/strong>. Aqui constava a doa\u00e7\u00e3o de terras e marinhas de sal (salinas).<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Mais tarde, por Carta R\u00e9gia<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, D. Afonso Henriques faz a doa\u00e7\u00e3o de mais terras e Salinas nas margens do Rio Mondego, aos Monges de Mosteiro de\u00a0 Santa Cruz de Coimbra em 1176<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Maria Helena da Cruz Coelho<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> (refere a exist\u00eancia de 28 documentos datados do s\u00e9culo XIII referentes a salinas no Mondego, 11 s\u00e3o referentes a Lavos, 9 a Tavarede, 4 a Caceira, 3 na foz do Mondego e 1 a Oveiroa (actual Ilha da Morraceira). <strong>O sal era o ouro branco da regi\u00e3o e altamente valorizado pelas propriedades da conserva\u00e7\u00e3o dos alimentos, entre muitos outros aspectos<\/strong>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 11px\">(1) Doa\u00e7\u00e3o testament\u00e1ria , <em>Capit\u00e3o<\/em>\u00a0Jo\u00e3o Pereira\u00a0<em>Mano<\/em>\u00a0 &#8220;<em>Lavos<\/em>: Nove S\u00e9culos de Hist\u00f3ria&#8221; (2000)<\/h3>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 11px\">(2) Chancelarias Medievais Portuguesas,\u00a0 Coimbra 1938, Abiah Elisabeth Reuter<\/h3>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 11px\">(3) M\u00e1rio Vieira de S\u00e1, em \u201c O Sal Comum\u201d, edi\u00e7\u00e3o de 1947<\/h3>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 11px\">(4) Maria Helena da Cruz Coelho, \u201cO Baixo Mondego nos Finais da Idade M\u00e9dia\u201d<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h2>O Mosteiro de Santa Maria de Sei\u00e7a que pertencia \u00e0 Ordem de Cister, nasce de uma pequena comunidade de eremitas ou monges j\u00e1 existente em 1175, ano em que D. Afonso Henriques lhe outorgou carta de couto.\u00a0<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/h2>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1570\" style=\"padding: 10px\" src=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2021\/08\/2-Mosteiro-Sei\u00e7a-min.jpg\" alt=\"Casas Figueira da Foz\" width=\"525\" height=\"348\" \/><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Este rei foi o fundador de Sei\u00e7a, enquanto doador do dom\u00ednio inicial do mosteiro, mas foi D. Sancho I que mandou construir a abadia e introduziu os monges do Mosteiro de Santa Maria de Alcoba\u00e7a na comunidade, a partir de 1 de Mar\u00e7o de 1195, data da doa\u00e7\u00e3o do Mosteiro ao abade de Alcoba\u00e7a, D. Mendo, casa m\u00e3e. <strong>As vinhas eram da maior import\u00e2ncia para os monges<\/strong>, arrendando as terras que<strong> eram trabalhadas por arrendat\u00e1rios e que pagavam muitos deles a renda em pipas de vinho<\/strong>. At\u00e9 ao s\u00e9culo XX muitas vinhas se mantiveram, no entanto no caso das da margem sul da Figueira da Foz forma sendo paulatinamente arrancados os p\u00e9s de vinha e substitu\u00eddas por arroz, como foi o caso na Quinta do Canal de Fora.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><strong>A pesca era tamb\u00e9m uma actividade de relevo na regi\u00e3o, nomeadamente em Buarcos e Redondos<\/strong>, povoa\u00e7\u00e3o de pescadores. Esta actividade secular foi important\u00edssima para a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es, com importante destaque durante o s\u00e9culo XVII. A dada altura a pesca do bacalhau era tamb\u00e9m uma refer\u00eancia, e no s\u00e9culo XX durante o Estado Novo, \u00e9 intensificada e subsidiada tendo a partir de finais da d\u00e9cada de 50 o aliciante de, a quem se inscrevesse nesta faina maior pelo prazo de 7 anos, beneficiaria da isen\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar na guerra colonial. Tamb\u00e9m <strong>a seca do bacalhau na Ilha da Morraceira era uma actividade desenvolvida pelas mulheres<\/strong>, que alternavam este trabalho com o carrego do sal das salinas para os bateis que o vinham descarregar na Figueira da Foz. O bacalhau era acondicionado e posteriormente vendido.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">O com\u00e9rcio mar\u00edtimo e fluvial era fulcral e as primeiras <strong>not\u00edcias de uma alf\u00e2ndega na foz do Mondego datam de meados do s\u00e9culo XVI<\/strong>, registando-se a exist\u00eancia de um almoxarife em 1559. Percebe-se a import\u00e2ncia e din\u00e2mica do cais.\u00a0 O Conselho da Fazenda ordenou a sua reedifica\u00e7\u00e3o, em 1692. O estaleiro da obra arrancaria somente em 1707, terminando-se no ano de 1711<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[5]<\/a>. \u00c9 este edif\u00edcio que se manteve at\u00e9 hoje, onde se desenrolou uma actua\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e fulcral da Figueira da Foz, reflectindo a import\u00e2ncia portu\u00e1ria, promovendo uma crescente din\u00e2mica comercial.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 11px\">(5) BORGES, Jos\u00e9 Pedro de Aboim, \u201c Materiais para a Hist\u00f3ria da Figueira nos S\u00e9culos XVII e XVIII\u201d, Catarina Oliveira<br \/>\nDGPC, 2019<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><strong>Este edif\u00edcio tornar-se-ia famoso pela aquisi\u00e7\u00e3o \u00e0 Alf\u00e2ndega de uma enorme cole\u00e7\u00e3o de Azulejos de Delft (provenientes de Roterd\u00e3o, Pa\u00edses Baixos, tendo sido apreendidos pela alf\u00e2ndega ap\u00f3s um acidente com a embarca\u00e7\u00e3o de transporte dos mesmos em 1706). Os azulejos tornam-se propriedade do C\u00f3nego de Coimbra, D. Jos\u00e9 de Melo, sobrinho do Bispo Conde D. Jo\u00e3o de Melo, fundador da Casa do Pa\u00e7o da Figueira da Foz onde constam os ditos azulejos.<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1571\" src=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2021\/08\/3-Azulejos-Casa-do-Pa\u00e7o-min.jpg\" alt=\"Moradias Figueira da Foz\" width=\"525\" height=\"295\" \/><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3>A partir do s\u00e9culo XVIII come\u00e7am a ser exploradas as minas do carv\u00e3o da Serra da Boa Viagem (Cabo Mondego).<\/h3>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Com a <strong>inaugura\u00e7\u00e3o da Linha de Caminho de Ferro da Beira Alta em 3 de Agosto de 1882<\/strong>, em que esteve presente o rei de Portugal D. Lu\u00eds, come\u00e7a a intensificar-se a vinda de banhistas, quer portugueses quer espanh\u00f3is, uma vez que a Figueira da Foz era agora a praia mais pr\u00f3xima de Madrid. <strong>A constru\u00e7\u00e3o do Bairro Novo, em contraposi\u00e7\u00e3o ao Bairro Velho (hoje a baixa da Figueira da Foz) <\/strong>come\u00e7a pela segunda metade do s\u00e9culo XIX, com a hotelaria a tomar a sua cada vez maior express\u00e3o. O Casino Peninsular \u00e9 inaugurado em do actual Casino ergueu-se, em 1884, o \u201cTheatro-Circo Saraiva de Carvalho\u201d \u00e9 transformado em espa\u00e7o de jogo e lazer, com o nome de \u201c<strong>Casino Peninsular\u201d \u2013 um dos mais importantes p\u00f3los de desenvolvimento e atrac\u00e7\u00e3o do Bairro Novo<\/strong>. \u00a0Sendo o Casino actual, de fachada totalmente inovada, continua a ser um dos p\u00f3los de anima\u00e7\u00e3o e atrac\u00e7\u00e3o tur\u00edstica por excel\u00eancia.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[6]<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 11px\">(6) In Figueira da Foz: Rotas do Concelho \u2013 Isabel Henriques. Organ. Divis\u00e3o de Cultura, Museu, Biblioteca e Arquivos da C\u00e2mara Municipal da Figueira da Foz, ed. Figueira Grande Turismo, 2005, pp 15-31.<\/h3>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1572\" style=\"padding: 10px\" src=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2021\/08\/4-Casino-Oceano-min.jpg\" alt=\"Figueira da Foz\" width=\"525\" height=\"352\" \/><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Em 3 de Agosto de 1898<\/strong>, situado junto do Casino (Peninsular), <strong>surge mais um luxuoso edif\u00edcio<\/strong>, constru\u00eddo <strong>para funcionar como casino e caf\u00e9-concerto<\/strong>, emerge para dotar o centro de veraneio do Bairro Novo de mais um equipamento de lazer e de atrac\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, bem <strong>ao gosto da sociedade da \u201cbelle \u00e9poque\u201d<\/strong>.<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entramos assim <strong>no s\u00e9culo XX, com a cidade plena de desenvolvimento e virada para um turismo que cada vez mais se afirmar\u00e1, atingindo o seu expoente m\u00e1ximo na d\u00e9cada de 50.<\/strong><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outras actividades comerciais de desenvolver\u00e3o, como a vidreira do Mondego, a produ\u00e7\u00e3o do arroz ou a introdu\u00e7\u00e3o de papeleiras face \u00e0 abertura do Estado Novo ao investimento estrangeiro.<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Contudo, a partir dos anos \u201970 come\u00e7aria o boom da constru\u00e7\u00e3o civil e respectiva actividade imobili\u00e1ria, garantindo apartamentos e moradias tanto para habita\u00e7\u00e3o permanente como de 2\u00aa habita\u00e7\u00e3o e f\u00e9rias para grande parte da popula\u00e7\u00e3o do centro do pa\u00eds, que tradicionalmente procurava a Figueira da Foz como destino tur\u00edstico<\/strong>, marcando assim o in\u00edcio de uma nova era de desenvolvimento atraindo cada vez mais outro tipo de industrias e residentes.<\/p>\n<div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"float: left;padding-right: 5px\" src=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2021\/08\/Jacqueline-Batista-Couto-min.jpg\" alt=\"T\u00e9cnica de Turismo e Patrimonio\" width=\"90\" height=\"90\" \/><\/p>\n<div><img style=\"float: left;padding-right: 5px\" \/><br \/>\n<strong>Jacqueline Batista Couto<\/strong><br \/>\n(T\u00e9cnica de Turismo e Patrim\u00f3nio)<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Come\u00e7amos por ter documenta\u00e7\u00e3o escrita sobre as salinas na Figueira da Foz, atrav\u00e9s da doa\u00e7\u00e3o testament\u00e1ria de Sisnando Davides, Governador de Coimbra, ao Abade Pedro em 1096. Aqui constava a doa\u00e7\u00e3o de terras e marinhas de sal (salinas).[1] Mais tarde, por Carta R\u00e9gia[2], D. 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