{"id":1928,"date":"2021-12-05T16:00:06","date_gmt":"2021-12-05T16:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=1928"},"modified":"2022-02-25T11:27:43","modified_gmt":"2022-02-25T11:27:43","slug":"portugal-2030-uma-rede-urbana-forte-ou-a-metropole-que-desertifica-o-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/portugal-2030-uma-rede-urbana-forte-ou-a-metropole-que-desertifica-o-interior\/","title":{"rendered":"Portugal 2030. Uma rede urbana forte ou a metr\u00f3pole que desertifica o \u201cInterior\u201d?"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Portugal \u00e9 um pa\u00eds extremamente carente de coes\u00e3o territorial<\/strong>, muita ret\u00f3rica tem sido desfiada em torno desta mancha. <strong>Um pa\u00eds da Comunidade Europeia n\u00e3o podia, n\u00e3o devia, ter tamanhas desigualdades territoriais<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Num passado recente, os territ\u00f3rios mais desfavorecidos recebiam o ep\u00edteto de \u201cInterior\u201d, mesmo se ficassem \u00e0 beira do mar ou a escassos quil\u00f3metros da costa. Hoje em dia, o jarg\u00e3o bem-pensante designa-os por \u201cterrit\u00f3rios de baixa densidade\u201d, mesmo se tenham vilas ou pequenas cidades com um centro consideravelmente denso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Ora, qual \u00e9 o principal problema desses territ\u00f3rios desiguais? N\u00e3o \u00e9 certamente serem \u201cruins\u201d ou \u201cdeficientes\u201d<\/strong> do ponto de vista cong\u00e9nito, n\u00e3o \u00e9 estarem \u201ccondenados\u201d por qualquer an\u00e1tema determinista. Todos os territ\u00f3rios, para que possam ser forte e competitivos, t\u00eam de ser polarizados por uma (ou v\u00e1rias) cidade(s). Sempre foi assim na hist\u00f3ria para qualquer territ\u00f3rio. A sua maior ou menor riqueza econ\u00f3mica, a fraqueza ou a for\u00e7a do seu estatuto identit\u00e1rio e cultural e at\u00e9 mesmo a vitalidade e a din\u00e2mica do modo como se rev\u00eaem e como se inserem na vastid\u00e3o do espa\u00e7o nacional (ou mesmo europeu) reside tamb\u00e9m no modo como s\u00e3o representadas a(s) cidade(s) que ficam na sua proximidade, ou seja, no \u00e2mbito da sua vizinhan\u00e7a hist\u00f3rico e cultural. Ora, <strong>em Portugal, o que se passa \u00e9 um violent\u00edssimo processo de metropoliza\u00e7\u00e3o<\/strong> que tem in\u00edcio ao longo da d\u00e9cada de sessenta do s\u00e9culo passado e que \u00e9 extrapolado e potenciado pelo investimento p\u00fablico a partir das duas \u00faltimas d\u00e9cadas do mesmo s\u00e9culo. Os fundos da pol\u00edtica de coes\u00e3o come\u00e7avam a chegar, os planos directores municipais &#8211; PDM &#8211; foram definidos para cada um dos munic\u00edpios, tantas vezes transformando as continuidades territoriais numa manta de planos concelhios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, as grandes infraestruturas de comunica\u00e7\u00e3o, as mais importantes em escala, alcance e investimento, eram transconcelhias ou de \u00e2mbito territorial mais vasto, e o certo \u00e9 que essas foram sendo decididas exclusivamente em fun\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o da capital com o mundo e com a segunda cidade, que entretanto, tinha alcan\u00e7ado tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o metropolitana. Come\u00e7ou assim, e inevitavelmente, a construir-se uma axialidade hegem\u00f3nica, gerada pelos poderes p\u00fablicos com responsabilidades na gest\u00e3o or\u00e7amental. Por um lado, essas op\u00e7\u00f5es centralizadas eram-nos dadas como inevit\u00e1veis, como naturais mesmo, iniciando-se um ciclo que predomina at\u00e9 hoje: o investimento p\u00fablico \u00e9 centralizado porque \u00e9 na capital que est\u00e3o as din\u00e2micas mais <strong>significativas v\u00e3o para a capital porque \u00e9 l\u00e1 que est\u00e1 centrada uma grande fatia do investimento p\u00fablico.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os territ\u00f3rios mais desiguais s\u00e3o, por consequ\u00eancia, aqueles que mais dist\u00e2ncia criam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metr\u00f3pole e aos seus \u201cbra\u00e7os\u201d de suburbaniza\u00e7\u00e3o galopante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1927\" style=\"padding: 10px\" src=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2021\/11\/Ruas-min.jpg\" alt=\"Moradias Figueira da Foz\" width=\"525\" height=\"578\" srcset=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2021\/11\/Ruas-min.jpg 525w, https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2021\/11\/Ruas-min-272x300.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ser\u00e1 este um modelo europeu? Ser\u00e1 uma tend\u00eancia dos pa\u00edses economicamente \u201cdesenvolvidos\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Claro que n\u00e3o, muito pelo contr\u00e1rio, como bem sabemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde logo em Espanha ou na It\u00e1lia: as suas respectivas culturas urbanas n\u00e3o florescem s\u00f3 pela maneira de ser dos seus urbanitas. As cidades, mesmo as mais pequenas, continuam tamb\u00e9m a ser centros pol\u00edticos administrativos din\u00e2micos e representativos, quer as capitais de prov\u00edncia, quer as capitais de regi\u00e3o. A rede ferrovi\u00e1ria e de auto-estradas em Espanha liga as principais metr\u00f3poles, sem d\u00favida, mas estrutura-se a partir da liga\u00e7\u00e3o entre as capitais de prov\u00edncia, o que \u00e9 muito, muito diferente. Ou a Su\u00ed\u00e7a, onde, pese embora o sistema minimalista da democracia representativa helv\u00e9tica, as principais cidades dos mais pequenos cant\u00f5es s\u00e3o verdadeiras minicapitais todas ligadas entre si, com presen\u00e7a efetiva e atuante dos canais de representa\u00e7\u00e3o do Estado federado, dos offices cantonales aos est\u00fadios de produ\u00e7\u00e3o e emiss\u00e3o da televis\u00e3o p\u00fablica. Mesmo a c\u00e9lebre utopia metropolitana circular neerlandesa &#8211; o Randstad &#8211; liga capitalidades interm\u00e9dias, n\u00e3o \u00e9 um eixo entre metr\u00f3poles com ramais para algumas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Em Portugal, a verdade, e esse \u00e9 o centro do problema hoje, \u00e9 que a ideia de uma metropoliza\u00e7\u00e3o exclusivista domina o pensamento das elites esclarecidas e, por antinomia, gera a ideia m\u00edtica de um Interior, uma entidade sem forma, vagamente rom\u00e2ntica no Inverno, inquestionavelmente sat\u00e2nica no Ver\u00e3o, que corresponde na verdade a TODO o territ\u00f3rio que n\u00e3o seja identificado com as \u00e1reas metropolitanas.<\/strong><\/p>\n<h3 style=\"font-size: 12px\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha, Centro de Estudos Sociais, In \u2018Di\u00e1rio as Beiras\u2019<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Portugal \u00e9 um pa\u00eds extremamente carente de coes\u00e3o territorial, muita ret\u00f3rica tem sido desfiada em torno desta mancha. 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