{"id":2322,"date":"2022-04-22T20:30:04","date_gmt":"2022-04-22T19:30:04","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=2322"},"modified":"2022-04-21T18:01:46","modified_gmt":"2022-04-21T17:01:46","slug":"a-guerra-os-combustiveis-e-a-mobilidade-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/a-guerra-os-combustiveis-e-a-mobilidade-sustentavel\/","title":{"rendered":"A guerra, os combust\u00edveis e a mobilidade sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">No mundo atual, os acontecimentos t\u00eam um impacto cada vez mais global. Foi assim com a covid-19, que se tornou uma pandemia. \u00c9 tamb\u00e9m o caso da guerra na Ucr\u00e2nia. Em primeiro lugar e acima de tudo, est\u00e1 a provocar um sofrimento indescrit\u00edvel ao povo ucraniano, que v\u00ea o seu pa\u00eds e o seu modo de vida ser atacado e destru\u00eddo. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois e de uma forma indirecta, come\u00e7am j\u00e1 a sentir-se efeitos negativos um pouco por todo o mundo &#8211; o mais imediato e vis\u00edvel \u00e9 a subida dos pre\u00e7os da energia e, em particular, dos combust\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Notando que a pandemia da covid-19 nos obrigou a acelerar a transi\u00e7\u00e3o digital poder\u00e1 perguntar-se: ser\u00e1 que esta guerra e a consequente subida do pre\u00e7o dos combust\u00edveis nos far\u00e1 acelerar a transi\u00e7\u00e3o do paradigma da mobilidade assente nos combust\u00edveis f\u00f3sseis (gas\u00f3leo e gasolina), para uma mobilidade mais sustent\u00e1vel e mais ativa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A este prop\u00f3sito, valer\u00e1 a pena analisar a mudan\u00e7a que teve lugar nos Pa\u00edses Baixos a partir da d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado. Como \u00e9 que os Pa\u00edses Baixos se tornaram no \u201cpa\u00eds das bicicletas\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes de mais e para enquadramento, salienta-se que a percentagem de popula\u00e7\u00e3o que possui autom\u00f3vel n\u00e3o \u00e9 expressivamente mais baixa do que nos restantes pa\u00edses europeus, nomeadamente nos seus vizinhos. Acontece que os holandeses usam o carro de forma diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para entender esta hist\u00f3ria de mudan\u00e7a, nada melhor do que a imagem apresentada, que retrata a Rua Haarlemmerdijk, em Amesterd\u00e3o, ao longo dos tempos (1900, 1971 e 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Historicamente, as ruas sempre foram um local para as pessoas &#8211; caf\u00e9s e lojas abertas para a rua, com esplanadas e bancas no exterior, promovendo a conviv\u00eancia, o com\u00e9rcio, e o lazer. Em 1990, era assim na Rua Haarlemmerdijk. Nota: as diferentes ruas cumprem diferentes fun\u00e7\u00f5es; por isso, os urbanistas e engenheiros de tr\u00e1fego classificam-nas como art\u00e9rias ou distribuidoras principais se a fun\u00e7\u00e3o prevalecente \u00e9 a de circula\u00e7\u00e3o, ou como ruas de acesso local que se dedicam a permitir o acesso aos edif\u00edcios e o usufruto do espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o crescimento econ\u00f3mico do p\u00f3s-guerra e um grande desenvolvimento da ind\u00fastria autom\u00f3vel, cada vez mais passaram a ter a vontade e a capacidade financeira para adquirir um carro. Assim, todas as ruas, independentemente da sua fun\u00e7\u00e3o, se encheram rapidamente de autom\u00f3veis. Como estes ve\u00edculos ocupavam muito mais espa\u00e7o do que estava dispon\u00edvel, as ruas existentes foram sendo reformuladas para facilitar o fluxo e o estacionamento autom\u00f3vel e muitas novas vias foram constru\u00eddas. Foi assim nos Pa\u00edses Baixos, tamb\u00e9m em Portugal, mas algumas d\u00e9cadas mais tarde, e um pouco por todo o mundo. Em 1971, este era o contexto na rua Haarlemmerdijk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na d\u00e9cada de 70, dois tipos de eventos vieram alterar a situa\u00e7\u00e3o e levaram a uma transi\u00e7\u00e3o para o que conhecemos hoje &#8211; \u201co pa\u00eds das bicicletas\u201d. Em 1973, d\u00e1-se a primeira crise do petr\u00f3leo, que levou a que o seu pre\u00e7o praticamente quadruplicasse. Em Portugal, nos \u00faltimos anos, o pre\u00e7o dos combust\u00edveis tem vindo sucessivamente a sofrer pequenos aumentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agora, com o efeito da guerra, o pre\u00e7o sobe consideravelmente semana ap\u00f3s semana, havendo j\u00e1 previs\u00f5es de que possa atingir os 3 euros por litro. Mais do que a instabilidade dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, o que fez realmente mudar a situa\u00e7\u00e3o nos Pa\u00edses Baixos foram os tr\u00e1gicos acidentes entre os pesados e velozes autom\u00f3veis e as leves bicicletas, que as crian\u00e7as continuavam a usar para se deslocar e para brincar. Gerou-se um movimento da sociedade contra a elevada mortalidade infantil e a exigir maior seguran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O crescimento massivo desse movimento levou os decisores pol\u00edticos a promover uma profunda reflex\u00e3o sobre o modo de vida e de desloca\u00e7\u00e3o nas cidades. Depois de experi\u00eancias iniciais, percebeu-se que era necess\u00e1rio criar uma rede de ciclovias completa, por toda a cidade, e integrada com outros modos de transporte &#8211; ou seja, em todas as ruas, e at\u00e9 atrav\u00e9s de parques e outros locais onde os carros n\u00e3o podem circular. Em conjunto com limita\u00e7\u00f5es \u00e0 circula\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel no centro da cidade e em bairros residenciais (limitando a velocidade autom\u00f3vel a 30 km\/h, colocando passadeiras elevadas, e restringindo estacionamento, entre outros) foi poss\u00edvel transformar as ruas e as cidades novamente em espa\u00e7os seguros e para as pessoas. Hoje em dia, \u00e9 outra vez assim na rua Haarlemmerdijk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por \u00faltimo, saliento que uma mobilidade mais sustent\u00e1vel n\u00e3o implica come\u00e7ar a andar de bicicleta. Antes de mais, deve avaliar-se se viagens de curta dist\u00e2ncia (para ir ao caf\u00e9, ou \u00e0 escola) poder\u00e3o ser feitas a p\u00e9, em vez de carro. Depois, deve avaliar-se se \u00e9 poss\u00edvel evitar certas desloca\u00e7\u00f5es (como ir almo\u00e7ar a casa todos os dias). Com um pouco mais de ambi\u00e7\u00e3o, na viagem di\u00e1ria casa-trabalho-casa, ser\u00e1 poss\u00edvel substituir o carro por transportes p\u00fablicos ou outro modo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fazer esta altera\u00e7\u00e3o em apenas um dia, dos cinco da semana de trabalho, corresponde a baixar 20% das emiss\u00f5es regulares! Cada um de n\u00f3s tem o seu pr\u00f3prio contexto e rotinas individuais e familiares, por isso, ter\u00e1 de ser cada um a perceber como pode, de fato, tornar a sua mobilidade mais consciente e mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pre\u00e7o dos combust\u00edveis ajuda a esta reflex\u00e3o!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 12px\">Jo\u00e3o Bigotte &#8211; Docente de Inova\u00e7\u00e3o, Urbanismo e Transportes\/FCTUC, in Di\u00e1rio As Beiras (16-03-2022)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mundo atual, os acontecimentos t\u00eam um impacto cada vez mais global. 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