{"id":2377,"date":"2022-04-27T13:30:22","date_gmt":"2022-04-27T12:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=2377"},"modified":"2022-04-26T18:49:53","modified_gmt":"2022-04-26T17:49:53","slug":"liberdade-e-acaso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/liberdade-e-acaso\/","title":{"rendered":"Liberdade e Acaso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Abril, T.S. Eliot, nem sempre \u00e9 o mais cruel dos meses. Por, de quando em quando, ter um vig\u00e9simo quinto dia de madrugadas claras e l\u00edmpidas, de flores rubras na boca dos blindados, de poesia espalhada pelas ruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o nascemos livres. Nem iguais. Somos o precipitado concreto de ra\u00edzes biol\u00f3gicas antediluvianas. Somos o corpo que somos, com privativas singularidades e determinadas biogen\u00e9ticas. Temos reduzida capacidade de escolha \u00e9tica. O Bem e o Mal s\u00e3o puras inscri\u00e7\u00f5es bio-neuronais. E, fi\u00e9is seguidores de S. Darwin, sabemos que o \u201cvale tudo\u201d do Mal \u00e9 o comportamento adaptativo ideal. O liso caminho do sucesso pessoal, econ\u00f3mico, pol\u00edtico e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da\u00ed a nossa adora\u00e7\u00e3o, ainda que inconfessada e secreta, aos \u00eddolos pag\u00e3os de sempre: conquistadores de imp\u00e9rios, capit\u00e3es da ind\u00fastria, senhores do grande capital, divindades desportivas e futilidades do entretenimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da\u00ed o fracasso da utopia crist\u00e3 e o eclipse do messianismo marxista, varridos pela frieza implac\u00e1vel de um capitalismo que, em sintonia fina com a marca darwinista da natureza humana, vinga triunfal em qualquer terreno ideol\u00f3gico e pol\u00edtico &#8211; seja nas democracias liberais ocidentais, seja na totalit\u00e1ria China.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nascemos, vivemos e morremos no nosso tempo e no nosso espa\u00e7o. Neste s\u00e9culo, neste lugar, nesta fam\u00edlia, nesta comunidade. E assim nos transformamos no que n\u00e3o podemos deixar de ser. \u201cPode algu\u00e9m ser quem n\u00e3o \u00e9?\u201d pergunta h\u00e1 muito, e com plena raz\u00e3o, S\u00e9rgio Godinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o sabemos, nem nunca poderemos saber, o Fim da Hist\u00f3ria. A profecia marxista da id\u00edlica Jerusal\u00e9m terrestre, lugar sem classes liberto de opressores e oprimidos, tem, t\u00e3o s\u00f3, um valor de cren\u00e7a. O mesmo se diga da profecia liberal-individualista: a\u00ed temos, perante os nossos olhos, democracias a morrer, ditaduras a ressuscitar, protecionismos econ\u00f3micos a regressar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vivemos nos caos e no acaso. Somos caos e acaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Caso e acaso que, de quando em quando, fazem com que abril seja o mais suave e doce dos meses.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 12px\">Manuel Castelo Branco &#8211; Docente do ISCAC, in Di\u00e1rio As Beiras (23-04-2022)<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abril, T.S. Eliot, nem sempre \u00e9 o mais cruel dos meses. Por, de quando em quando, ter um vig\u00e9simo quinto dia de madrugadas claras e l\u00edmpidas, de flores rubras na boca dos blindados, de poesia espalhada pelas ruas. N\u00e3o nascemos livres. Nem iguais. Somos o precipitado concreto de ra\u00edzes biol\u00f3gicas antediluvianas. 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