{"id":2542,"date":"2022-07-26T17:25:33","date_gmt":"2022-07-26T16:25:33","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=2542"},"modified":"2022-07-26T17:22:09","modified_gmt":"2022-07-26T16:22:09","slug":"a-deriva-ou-encalhados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/a-deriva-ou-encalhados\/","title":{"rendered":"\u00c0 deriva\u2026 ou encalhados?"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify\">Andamos todos a assistir, com estupefac\u00e7\u00e3o, \u00e0s dificuldades com as urg\u00eancias hospitalares. Sabemos, entretanto, que foi nomeado um diretor de comunica\u00e7\u00e3o e que foi nomeada uma comiss\u00e3o que se ocupar\u00e1 deste assunto.<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabemos ainda que esta comiss\u00e3o resulta de uma renomea\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o an\u00e1loga, datada de 2017, cujos frutos s\u00e3o inexistentes ou nunca foram conhecidos, ao mesmo tempo que sabemos que uma outra comiss\u00e3o produziu um conjunto de resultados para as urg\u00eancias, em 2019, que nunca sa\u00edram do papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, acabo de verificar que 1.3 mil milh\u00f5es de euros do PRR est\u00e3o consignados \u00e0 \u201creforma dos cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios, \u00e0 reforma dos cuidados de sa\u00fade mental e \u00e0 reforma do modelo de governa\u00e7\u00e3o dos hospitais p\u00fablicos\u201d. Ou seja, estamos imediatamente a ver como este dinheiro vai ser gasto e como, na verdade, ele se vai destinar a cobrir gastos que deveriam estar a ser realizados e cobertos, normalmente, pelo or\u00e7amento geral do estado. Estamos a falar de reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Um PRR, baseado em fundos estruturais, vai, na verdade, em grande medida, ser consumido em despesas correntes<\/strong>. Em compara\u00e7\u00e3o com a m\u00e9dia europeia que dedica 55% dos fundos da parte p\u00fablica a investimento, Portugal dedica apenas 40% e, se nos ativermos \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, a realidade acabar\u00e1 por ser ainda mais desastrosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na verdade, um programa com estas caracter\u00edsticas, deveria ser dedicado a investimentos estruturantes e reprodutivos, com uma esmagadora participa\u00e7\u00e3o do sector privado. N\u00e3o ser\u00e1 isto que vai acontecer e temo que grande parte destes fundos sejam consumidos em despesa corrente e n\u00e3o reprodutiva. Mais ainda, os atrasos na execu\u00e7\u00e3o est\u00e3o-se a multiplicar e a parte j\u00e1 efectivamente paga \u00e9 absurdamente \u00ednfima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Claro que o entusiasmo com o crescimento deste ano (esperemos que n\u00e3o venhamos a ter uma m\u00e1 surpresa) alimentado pelo turismo, pela chegada de fundos e por, em termos hom\u00f3logos, ser algo mais robusto (o crescimento em cadeia est\u00e1 muito mais modesto), est\u00e1 a impedir-nos de percebermos que o pr\u00f3ximo ano vamos apanhar um balde de \u00e1gua fria, com um crescimento muito\u2026 muito modesto<\/strong>. Todos vamos sofrer seriamente as consequ\u00eancias de muita da ina\u00e7\u00e3o a que estamos a assistir. O PRR, a que alguns chamaram Bazuca, corre o risco de apenas dar um tiro de pistola, e de produzir resultados p\u00edfios, que apenas alimentam o nosso desregramento corrente e o nosso deficit externo. \u00c9 hoje claro que a Bazuca vai ser uma enorme oportunidade perdida: os fundos que vamos receber poderiam permitir um redesenho extensivo do nosso tecido empresarial, da nossa economia e da nossa competitividade. Adivinhem comigo: nada acontecer\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A not\u00edcia recente da perda de 6 lugares no \u00edndice de competitividade (pass\u00e1mos de 36\u00ba para 42\u00ba lugar) deveria fazer-nos pensar seriamente nas prioridades da pol\u00edtica econ\u00f3mica e da estrat\u00e9gia empresarial<\/strong>. Ao mesmo tempo, os n\u00edveis de produtividade t\u00eam vindo a conhecer algum retrocesso, talvez pelo peso que o turismo tem vindo a ganhar no PIB. Ironicamente, ou n\u00e3o, o t\u00e3o desprezado e mal visto turismo est\u00e1 a ser o respons\u00e1vel pela retoma da nossa economia e, curiosamente, o PRR poucas ou nenhumas refer\u00eancias lhe faz. Quem somos? Para onde vamos? Onde queremos chegar? Na verdade, continuamos perdidos como um navio \u00e0 deriva, no meio de uma tempestade: parece que pusemos o chefe da casa das m\u00e1quinas ao leme e o piloto na casa das m\u00e1quinas: O piloto n\u00e3o consegue p\u00f4r as m\u00e1quinas a andar e o chefe da casa das m\u00e1quinas, j\u00e1 encalhou o navio!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 12px\">Arnaldo Coelho &#8211; Faculdade de Economia de Coimbra, in Di\u00e1rio As Beiras (27-06-2022)<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andamos todos a assistir, com estupefac\u00e7\u00e3o, \u00e0s dificuldades com as urg\u00eancias hospitalares. 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