{"id":2962,"date":"2022-10-24T09:00:10","date_gmt":"2022-10-24T08:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=2962"},"modified":"2022-10-21T15:26:06","modified_gmt":"2022-10-21T14:26:06","slug":"este-mundo-nao-e-para-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/este-mundo-nao-e-para-pobres\/","title":{"rendered":"Este mundo n\u00e3o \u00e9 para pobres."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O romance e o filme hom\u00f3nimo dos Irm\u00e3os Coen, No Country for Old Men, encontram, no descritivo t\u00edtulo, uma fulgurante, ainda que sombria, s\u00edntese dos tempos que passam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 apenas para os velhos que n\u00e3o existe lugar habit\u00e1vel. Desempregados, colarinhos azuis, refugiados, migrantes, adictos, meninos de rua, prostitutas, sem abrigo &#8211; pobres numa palava, s\u00e3o ap\u00e1tridas num mundo que apenas concede direitos de real cidadania aos exibicionistas do dinheiro, por mais turva que seja a fonte da glamorosa opul\u00eancia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\">Este pa\u00eds Portugal tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 para pobres.<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 para ricos. \u00c9 sobretudo, para os hiper-ricos. A quem, generoso, abre fronteiras, e concede autoriza\u00e7\u00f5es de resid\u00eancia e t\u00edtulos de nacionalidade posto que sejam abastados, muito abastados, abastados o suficiente para tornar ainda mais ricos os nativos irm\u00e3os de fortuna, comprando-lhes casas douradas, sociedades douradas, entretenimentos dourados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E a quem permite vidas douradas, sem impostos e sem o espect\u00e1culo deprimente da pobreza dos aut\u00f3ctones, apenas diurmente tolerados como submissos servi\u00e7ais low cost e convenientemente despachados, mal a noite cai, para o urbanismo concentracion\u00e1rio das periferias, dos sub\u00farbios, das zonas J e dos quartos de aluguer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hiper-ricos a quem, por outro lado, apesar de n\u00e3o pagarem impostos que se vejam &#8211; como esfalfada mas inutilmente v\u00eam denunciando Thomas Piketty e Joseph Stiglitz &#8211; muito afligem os liliputianos nos sal\u00e1rios dos servos e as liliputianas reformas dos servos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E que, no intervalo das vernissages, muito se escandalizam &#8211; oh horror dos horrores! &#8211; com rendimentos m\u00ednimos garantidos e demais presta\u00e7\u00f5es malfeitoras do abomin\u00e1vel Estado Social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o uns ingratos. Pois fingem esquecer que Estado financia as presta\u00e7\u00f5es sociais concedidas aos servos com impostos daqueles privativos. Impostos esses que, em passe de m\u00e1gica digno de um anti-Robin Hood, s\u00e3o o man\u00e1 constituinte dos donativos, subs\u00eddios, prebendas, rendas e demais subven\u00e7\u00f5es a fundo perdido a que os hiper-ricos t\u00eam, ao que consta, merecido direito de natureza quase divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 que corrigir Lampedusa. \u00c9 preciso que tudo &#8211; ou alguma coisa &#8211; mude, para que tudo realmente mude.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 12px\">Manuel Castelo Branco &#8211; Docente do ISCAC, in Di\u00e1rio As Beiras (08\/10\/2022)<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O romance e o filme hom\u00f3nimo dos Irm\u00e3os Coen, No Country for Old Men, encontram, no descritivo t\u00edtulo, uma fulgurante, ainda que sombria, s\u00edntese dos tempos que passam. 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