{"id":3137,"date":"2023-02-11T19:57:20","date_gmt":"2023-02-11T19:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=3137"},"modified":"2023-02-10T12:09:13","modified_gmt":"2023-02-10T12:09:13","slug":"ha-cada-vez-menos-casas-para-vender-em-portugal-entao-porque-nao-se-constroem-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/ha-cada-vez-menos-casas-para-vender-em-portugal-entao-porque-nao-se-constroem-mais\/","title":{"rendered":"H\u00e1 cada vez menos casas para vender em Portugal: ent\u00e3o porque n\u00e3o se constroem mais?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 15 anos que n\u00e3o havia t\u00e3o poucas casas para comprar em Portugal: no final de 2022 existiam cerca de 47.200 fogos dispon\u00edveis para mudar de donos. Mas a procura est\u00e1 forte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<h3>Barreira 1: o licenciamento<\/h3>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre o momento de decidir construir um im\u00f3vel e o fim da obra podem passar anos. E a burocracia prejudica, tirando vontade aos promotores imobili\u00e1rios de investir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cOs processos de licenciamento s\u00e3o lentos e podem ser o calcanhar de Aquiles da promo\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria\u201d, diz Bento Aires, presidente da Ordem dos Engenheiros \u2013 Regi\u00e3o Norte (OERN).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E, por isso, deixa uma sugest\u00e3o: \u201c\u00c9 preciso que as c\u00e2maras simplifiquem os processos ou comecem a desenvolver estudos pr\u00e9vios de licenciamento para incentivar os privados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto os projetos andam a deambular pelos gabinetes das autarquias, a viabilidade de um investimento pode ser fortemente comprometida. Basta ver o exemplo do \u00faltimo ano, onde a guerra e a infla\u00e7\u00e3o fizeram disparar os pre\u00e7os dos materiais de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO mercado trabalha em ciclos longos. Do momento em que se percebe que h\u00e1 falta de oferta \u00e0 constru\u00e7\u00e3o pode passar muito tempo. O maior obst\u00e1culo \u00e0 atividade \u00e9 a burocracia e o licenciamento\u201d, refor\u00e7a Ricardo Guimar\u00e3es, diretor da Confidencial Imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o Estado, mesmo em causa pr\u00f3pria, tem culpas, remata o engenheiro civil Carlos Mineiro Aires: \u201cNa habita\u00e7\u00e3o que o Estado promove, \u00e9 tudo feito com contrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica. H\u00e1 uma teia burocr\u00e1tica e litig\u00e2ncia. S\u00f3 uma adjudica\u00e7\u00e3o pode demorar um ano se for contestada por um dos concorrentes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<h3>Barreira 2: a margem de lucro<\/h3>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos dos projetos imobili\u00e1rios que t\u00eam surgido nos \u00faltimos anos dirigem-se ao segmento superior ou de luxo. E h\u00e1 um motivo para isso: a margem de lucro \u00e9 mais atrativa para os promotores imobili\u00e1rios. \u201cSe forem investidores privados, n\u00e3o investem no segmento m\u00e9dio porque a margem de lucro \u00e9 pequena\u201d, resume Carlos Mineiro Aires.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, mesmo nos empreendimentos dirigidos \u00e0 classe m\u00e9dia, a procura est\u00e1 muito intensa. \u201cOs que chegam ao mercado t\u00eam uma venda muito r\u00e1pido. H\u00e1 muitos sinais que confirmam a falta de oferta\u201d, diz Ricardo Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra pergunta: mas se h\u00e1 classe m\u00e9dia \u00e0 procura, com muita intensidade, porque n\u00e3o se constr\u00f3i para esse segmento? A resposta est\u00e1 na barreira seguinte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3136\" src=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/02\/Foto-2-Menos-Casas-525-min.jpg\" alt=\"Moradias Figueira da Foz\" width=\"525\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/02\/Foto-2-Menos-Casas-525-min.jpg 525w, https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/02\/Foto-2-Menos-Casas-525-min-300x286.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<h3>Barreira 3: o contexto de incerteza<\/h3>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios fatores a alimentar a incerteza que se vive no setor imobili\u00e1rio. A falta de m\u00e3o-de-obra, aliada ao crescimento dos pre\u00e7os e escassez de materiais de constru\u00e7\u00e3o, torna o custo de uma obra mais cara. \u201cTem havidos muitos ciclos de choques e de tens\u00e3o que os investidores encaram e t\u00eam receios. A promo\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 uma atividade com risco\u201d, insiste Ricardo Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas h\u00e1 mais um fator que \u00e9 determinante: com a subida dos juros, as regras mais apertadas da banca no financiamento e a perda de poder de compra torna-se cada vez mais dif\u00edcil \u00e0s fam\u00edlias comprar casa. \u201cHoje n\u00e3o \u00e9 certo que uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia consiga obter financiamento e comprar casa aos pre\u00e7os a que est\u00e3o\u201d, refor\u00e7a Bento Aires.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com este cen\u00e1rio de d\u00favida, h\u00e1 outro aspeto a considerar: quem tem uma casa e estava a pensar coloc\u00e1-la \u00e0 venda, pensa duas vezes, acabando tamb\u00e9m a encolher a oferta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c\u00c9 de esperar que os propriet\u00e1rios que esperavam vender o seu im\u00f3vel, nesta altura, se acanhem. Porque, em simult\u00e2neo, o rendimento e a valoriza\u00e7\u00e3o que os imoveis t\u00eam s\u00e3o das poucas formas seguras de combate ao efeito da infla\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta Ricardo Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<h3>Barreira 4: pr\u00e9dios pequenos<\/h3>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O princ\u00edpio da economia de escala dita que quanto maior a produ\u00e7\u00e3o, menor o pre\u00e7o m\u00e9dio. E, na constru\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis, ele tamb\u00e9m pode existir. Em Portugal, a maioria dos pr\u00e9dios t\u00eam poucos andares e poucos apartamentos por piso. E isso torna o investimento menos atrativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ricardo Guimar\u00e3es, da Confidencial Imobili\u00e1rio, lembra que \u201cem Portugal n\u00e3o temos uma cultura de constru\u00e7\u00e3o em altura\u201d e que a \u201cdensidade de constru\u00e7\u00e3o contribui para a redu\u00e7\u00e3o do custo de constru\u00e7\u00e3o\u201d. Ou seja, pr\u00e9dios maiores poderiam permitir habita\u00e7\u00e3o mais barata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA densifica\u00e7\u00e3o tem de ser feita com muito cuidado, mas \u00e9 certamente uma das formas de responder \u00e0 necessidade de edif\u00edcios mais baratos\u201d, conclui.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 12px\">Texto de CNN Portugal, 31\/01\/2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 15 anos que n\u00e3o havia t\u00e3o poucas casas para comprar em Portugal: no final de 2022 existiam cerca de 47.200 fogos dispon\u00edveis para mudar de donos. Mas a procura est\u00e1 forte Barreira 1: o licenciamento Entre o momento de decidir construir um im\u00f3vel e o fim da obra podem passar anos. 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