{"id":4280,"date":"2024-09-05T11:53:28","date_gmt":"2024-09-05T10:53:28","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=4280"},"modified":"2024-09-05T11:56:44","modified_gmt":"2024-09-05T10:56:44","slug":"o-que-e-a-urbanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/o-que-e-a-urbanidade\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 a urbanidade?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Falamos e ouvimos falar sobre urbanidade embora, para muitos, possa n\u00e3o passar de um conceito vago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O territ\u00f3rio que nos envolve, o ch\u00e3o que pisamos, tem um estatuto que podemos reconhecer claramente, desconhecer totalmente ou ter algumas d\u00favidas sobre ele. O mais corrente de entre os estatutos do espa\u00e7o que nos envolve \u00e9 o seu car\u00e1cter p\u00fablico ou privado. Mas h\u00e1 outros, h\u00e1 imensas nuances entre estes dois polos, entre o p\u00fablico e o privado. Quando entramos num estabelecimento comercial, por exemplo, \u00e9 um espa\u00e7o semi-p\u00fablico, embora seja propriedade privada. Ou quando estamos na coluna de acessos de um edif\u00edcio de habita\u00e7\u00e3o coletiva, \u00e9 um espa\u00e7o semi-privado, embora qualquer pessoa com um prop\u00f3sito apropriado possa tamb\u00e9m entrar e procurar a casa de algu\u00e9m que necessite de visitar. E h\u00e1 muitas outras situa\u00e7\u00f5es cong\u00e9neres. Habitualmente, quando estamos numa cidade, esse estatuto est\u00e1 t\u00e3o claramente definido e enraizado que n\u00f3s nem pensamos nele, usamo-lo e reconhecemo-lo no seu contexto estatut\u00e1rio, com naturalidade e conforto, mas nem sequer nos apercebemos desse seu incomensur\u00e1vel valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dentro do espa\u00e7o p\u00fablico, sabemos exactamente quando estamos a pisar uma rua, uma pra\u00e7a, uma avenida, quando usufru\u00edmos de um parque ou de um pequeno jardim p\u00fablico, quando entramos numa mata de interesse nacional. Mas h\u00e1 mais, um centro comercial, por exemplo, \u00e9 um espa\u00e7o privado de uso colectivo, mas s\u00f3 sobrevive enquanto emula\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De um ponto de vista mais sociol\u00f3gico, podemos ent\u00e3o dizer que a urbanidade \u00e9 a qualidade da clarifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o que utilizamos, ou, se quisermos, quanto mais claro para n\u00f3s for o estatuto de utiliza\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o tanto mais urbano ele \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pode haver, h\u00e1 de certeza, muitas outras defini\u00e7\u00f5es pass\u00edveis de serem aplicadas ao conceito de urbanidade mas, se usarmos esta, seguramente n\u00e3o nos enganaremos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"padding: 10px\" class=\"alignleft size-full wp-image-4279\" src=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/09\/Urbanidade-2-525-min.jpg\" alt=\"Imoveis Figueira da Foz\" width=\"525\" height=\"502\" srcset=\"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/09\/Urbanidade-2-525-min.jpg 525w, https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/09\/Urbanidade-2-525-min-300x287.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta perspectiva, podemos dizer que Coimbra tem uma tradi\u00e7\u00e3o de urbanidade muito antiga, podemos dizer mesmo que esse \u00e9 o seu mais valoroso patrim\u00f3nio. Os edif\u00edcios e os espa\u00e7os que comp\u00f5em a Universidade, Alta e Sofia s\u00e3o excepcionais, mas o todo do conjunto urbano, com a possibilidade de uma leitura clara das suas pra\u00e7as, das suas ruas, dos seus parques \u00e9 um valor inestim\u00e1vel. Esse valor \u00e9 devido, sobretudo, \u00e0 articula\u00e7\u00e3o e ao equil\u00edbrio entre cheios e vazios, entre espa\u00e7o edificado e espa\u00e7o a c\u00e9u aberto. Essa \u00e9 a chave de compreens\u00e3o que, pelo menos desde o Renascimento, talvez mesmo desde o Imp\u00e9rio Romano, d\u00e1 a forma e a vida \u00e0s nossas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ora, de h\u00e1 algum tempo para c\u00e1, esse \u00e9lan perdeu-se por completo, hoje a cidade faz-se por um conjunto de regras abstractas, \u00edndices de ocupa\u00e7\u00e3o e zonamentos por actividades. Como se a diversidade de uso n\u00e3o fosse uma das mais marcantes caracter\u00edsticas dos solos urbanos que se prezam. O planeamento vigente, o PDM, transformou-se numa parafern\u00e1lia de clich\u00e9s e pressupostos anti-urbanos, completamente elaborados num mapa a duas dimens\u00f5es, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o tridimensional ou paisag\u00edstica. Isso \u00e9 um completo absurdo numa cidade com a riqueza topogr\u00e1fica de Coimbra, com as suas encostas e colinas urbanizadas. Mas \u00e9 isso que conta, \u00e9 isso que tem valor legislativo. J\u00e1 estava a ficar ultrapassado quando foi institu\u00eddo, h\u00e1 mais de quarenta anos. Foi sempre um enorme obst\u00e1culo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma cidade equilibrada, agrad\u00e1vel de habitar e de usar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um mero exemplo, a express\u00e3o mais vazia de sentido \u00e9 uma coisa que se chama abstractamente \u201c\u00e1rea verde de enquadramento\u201d, profusamente espalhada pelo PDM como caracteriza\u00e7\u00e3o vinculativa no territ\u00f3rio municipal. O que \u00e9? \u00c9 um parque? \u00c9 um jardim p\u00fablico? \u00c9 uma alameda arborizada? N\u00e3o. \u00c9 um espa\u00e7o sobrante entre dois loteamentos, um matagal de silvas, mimosas e outras infestantes, pontuada com canaviais ressequidos e pintado de verde no mapa, um espa\u00e7o descaracterizado que tem valor de lei. \u00c9 impeditivo e inibidor de tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para a cidade florescer, e como tal, cumprir com racionalidade o seu papel ambiental de alternativa ecol\u00f3gica ao crescimento suburbano difuso.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 12px\">Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha &#8211; Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais, in Di\u00e1rio As Beiras (04\/09\/2024)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falamos e ouvimos falar sobre urbanidade embora, para muitos, possa n\u00e3o passar de um conceito vago. 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