{"id":4360,"date":"2024-11-06T21:30:38","date_gmt":"2024-11-06T21:30:38","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/?p=4360"},"modified":"2024-11-07T09:42:40","modified_gmt":"2024-11-07T09:42:40","slug":"cidades-do-amanha-o-papel-da-experimentacao-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.omeuimo.pt\/imoexpansao\/cidades-do-amanha-o-papel-da-experimentacao-urbana\/","title":{"rendered":"Cidades do amanh\u00e3: o papel da experimenta\u00e7\u00e3o urbana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A C\u00e2mara Municipal de Coimbra promoveu recentemente uma iniciativa inovadora no bairro da Quinta da Portela: um projecto de experimenta\u00e7\u00e3o urbana. Durante sete dias, coincidentes com a Semana Europeia da Mobilidade, este bairro transformou-se num laborat\u00f3rio ao ar livre, onde foram testadas novas formas de mobilidade em duas ruas perpendiculares e no cruzamento entre elas. Alteraram-se sentidos de tr\u00e2nsito, convertendo ruas em vias de sentido \u00fanico, e reduziu-se o n\u00famero de vias de circula\u00e7\u00e3o e de estacionamento. O espa\u00e7o libertado deu lugar a uma ciclovia e a espa\u00e7os de conv\u00edvio para os moradores. A experi\u00eancia foi anunciada previamente e houve debate com os moradores, no local. Ap\u00f3s os sete dias, as ruas voltaram \u00e0 sua configura\u00e7\u00e3o original. Ser\u00e1 que as sementes para futuras mudan\u00e7as ficaram plantadas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A experimenta\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 uma nova forma de planear e construir cidades. Funciona como uma esp\u00e9cie de \u201caprender pelo fazer\u201d, como se promove nas escolas, ou uma abordagem \u201clean\u201d aplicada \u00e0 inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 tr\u00eas fases fundamentais: primeiro, imaginar o que a cidade e as ruas podem ser; depois, implementar as solu\u00e7\u00f5es sonhadas numa zona espec\u00edfica; por fim, testar, observando e aprendendo com os resultados. \u00c9 tamb\u00e9m uma nova forma de fazer pol\u00edtica: mais aberta, inclusiva e colaborativa. O verdadeiro sucesso destas iniciativas, est\u00e1 no quanto se aprende: com esse conhecimento, as solu\u00e7\u00f5es podem ser ajustadas ou expandidas para outras \u00e1reas da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em teoria, a experimenta\u00e7\u00e3o urbana permite tomar decis\u00f5es mais informadas e construir uma melhor cidade. Na pr\u00e1tica, tamb\u00e9m; pois as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o tipicamente mais f\u00e1ceis de implementar quando todos est\u00e3o envolvidos e tiveram uma palavra a dizer. O mais interessante \u00e9 que este tipo de experimenta\u00e7\u00e3o permite ter uma vis\u00e3o ambiciosa. A natureza tempor\u00e1ria e a circunscri\u00e7\u00e3o a uma \u00e1rea limitada facilitam a introdu\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es ousadas sem o receio de mudan\u00e7a. No entanto, tamb\u00e9m h\u00e1 riscos: a participa\u00e7\u00e3o pode ser enviesada por grupos pequenos, mas muito ativos, pelo que \u00e9 crucial garantir diversidade e representatividade nas opini\u00f5es. Depois da experi\u00eancia, o grande desafio \u00e9 dar continuidade \u00e0s ac\u00e7\u00f5es e continuar o di\u00e1logo entre os decisores e os cidad\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este processo de planeamento redefine o papel de cidad\u00e3o, que precisa de estar informado, envolvido e disposto a ver al\u00e9m do seu interesse individual. Estaremos, enquanto comunidade, preparados para isso?<br \/>\nA experimenta\u00e7\u00e3o urbana est\u00e1 a ganhar cada vez mais destaque, especialmente no \u00e2mbito de iniciativas mais amplas como os \u201cliving labs\u201d ou \u201curban labs\u201d. E n\u00e3o ser\u00e1 de estranhar que mais projectos deste g\u00e9nero venham a surgir em Coimbra e noutras cidades da regi\u00e3o, testando solu\u00e7\u00f5es para desafios t\u00e3o variados como a transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a inova\u00e7\u00e3o social ou a mobilidade sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As experi\u00eancias geralmente passam por reconfigurar o uso do espa\u00e7o p\u00fablico, nomeadamente os arruamentos. Tradicionalmente, as ruas de uma cidade s\u00e3o classificadas com base na principal fun\u00e7\u00e3o que desempenham: circula\u00e7\u00e3o ou acesso. As \u201cart\u00e9rias\u201d ou \u201ccirculares\u201d possuem v\u00e1rias vias destinadas a facilitar a circula\u00e7\u00e3o de grandes volumes de tr\u00e1fego a velocidades relativamente mais elevadas. Por outro lado, os \u201carruamentos locais\u201d priorizam o acesso a edif\u00edcios e actividades, dedicando menos espa\u00e7o \u00e0s vias de circula\u00e7\u00e3o e mais a estacionamento e passeios. Outras ruas, designadas como \u201cdistribuidoras\u201d, conjugam as duas fun\u00e7\u00f5es. Recentemente, uma terceira fun\u00e7\u00e3o tem vindo a ganhar relev\u00e2ncia: a frui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, ou seja, para lazer, mercados de rua, express\u00e3o art\u00edstica ou eventos desportivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Reafectar o uso de uma rua significa alterar a sua fun\u00e7\u00e3o principal. Muitas vezes, pretende-se que a mudan\u00e7a seja permanente. No entanto, pode ser ainda mais interessante testar solu\u00e7\u00f5es que respondam \u00e0 varia\u00e7\u00e3o das necessidades ao longo de um dia (horas de ponta vs resto do dia), de uma semana (dias de trabalho vs fim-de-semana), ou at\u00e9 sazonalmente (\u00e9pocas tur\u00edsticas e festivas vs resto do ano).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\">A t\u00edtulo de exemplo e de forma puramente hipot\u00e9tica, permito-me referir tr\u00eas casos que surgiram na minha mente enquanto escrevia este artigo.<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">Primeiro: a Avenida Jo\u00e3o das Regras, em Coimbra. Esta avenida, que liga a rotunda do Portugal dos Pequeninos \u00e0 Ponte de Santa Clara, tem uma clara fun\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o durante os dias da semana, apresentando elevado congestionamento nas horas de ponta. No entanto, ao fim-de-semana, o cen\u00e1rio \u00e9 outro: o tr\u00e1fego de atravessamento reduz-se consideravelmente e os passeios e as esplanadas enchem-se de pessoas. Porque n\u00e3o testar, ao fim-de-semana, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de vias, de duas para cada uma em cada sentido, transformando parte da avenida num espa\u00e7o de frui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo: o Bairro Novo, na Figueira da Foz. No Ver\u00e3o, o tr\u00e1fego, as necessidades de estacionamento e o movimento pedonal aumentam drasticamente, mas fora da \u00e9poca balnear, o cen\u00e1rio \u00e9 muito mais calmo. Uma solu\u00e7\u00e3o que adaptasse o uso do espa\u00e7o p\u00fablico \u00e0s varia\u00e7\u00f5es sazonais poderia trazer benef\u00edcios para moradores e turistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Terceiro: em muitas vilas e cidades, as crian\u00e7as j\u00e1 quase n\u00e3o brincam na rua, muito por culpa do tr\u00e1fego autom\u00f3vel. Porque n\u00e3o testar a cria\u00e7\u00e3o de Zonas 30, onde a velocidade \u00e9 limitada e os pe\u00f5es t\u00eam primazia, ou at\u00e9 Zonas de Coexist\u00eancia, onde o espa\u00e7o \u00e9 partilhado de forma segura entre autom\u00f3veis, bicicletas e pe\u00f5es?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;font-size: 12px\">Jo\u00e3o Bigotte, Docente de Inova\u00e7\u00e3o, Urbanismo e Transportes\/FCTUC, in Di\u00e1rio As Beiras (02\/10\/2024)<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C\u00e2mara Municipal de Coimbra promoveu recentemente uma iniciativa inovadora no bairro da Quinta da Portela: um projecto de experimenta\u00e7\u00e3o urbana. 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