Governo mantém garantia pública e afasta impacto no preço das casas

Executivo insiste que “a causa determinante do aumento dos preços da habitação” é a falta de oferta e não a garantia pública para jovens.

O Governo recusa recuar na garantia pública que permite aos jovens até 35 anos financiar 100% da compra da primeira casa, mesmo perante os alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco de Portugal (BdP) de que a medida está a alimentar a subida dos preços. Para o Executivo, o problema central do mercado da habitação continua a ser a falta de oferta e não o acesso ao crédito das novas gerações, pelo que não faz sentido “fechar a porta” à compra de casa aos mais jovens.

Segundo o ECO, o Ministério das Infraestruturas e Habitação respondeu a questões do grupo parlamentar do Chega reiterando que “não acompanha a premissa” de que a resposta à pressão nos preços deva passar por medidas que dificultem ou impeçam o acesso dos jovens à aquisição da sua primeira habitação própria e permanente.

O ministério, liderado por Miguel Pinto Luz, sublinha que a garantia do Estado “não substitui nem dispensa a avaliação de risco” feita pelos bancos e insiste que a “escassez de oferta é a causa determinante do aumento dos preços da habitação”. Por isso, considera “pouco rigoroso” concluir que esta garantia seja a responsável pelo disparo das avaliações e das transações.

Contudo, os próprios números do BdP mostram que o instrumento já tem um peso relevante no mercado. Em 2025, ano em que os preços das casas subiram 17,6% (a maior variação de sempre), os créditos com garantia pública representaram 42,7% de todo o financiamento à habitação contraído por jovens até 35 anos e 23,5% do crédito à habitação concedido no país.

Até março deste ano, já tinham sido celebrados 32,3 mil contratos com garantia do Estado, num montante total de 6,5 mil milhões de euros. Este crescimento leva o FMI a defender, num relatório recente, que estas medidas “devem ser revertidas”, por entender que, embora melhorem a acessibilidade no imediato, “aumentam a procura e ampliam ainda mais os desequilíbrios do mercado”.

O BdP partilha a preocupação, assinalando que os créditos com garantia do Estado apresentam, em média, níveis mais elevados de endividamento, maturidades mais longas e taxas de esforço superiores, o que os torna “tendencialmente mais vulneráveis a choques adversos”. A instituição liderada por Álvaro Santos Pereira já anunciou, aliás, uma revisão das medidas macroprudenciais, que entrará em vigor em agosto, precisamente para apertar o acesso ao crédito.

Ainda assim, o Governo insiste que a garantia pública foi “desenhada com segurança” e deve ser vista como um apoio à emancipação residencial dos jovens, “com natureza complementar” às políticas centradas no lado da oferta e não como substituto das mesmas. Nesse quadro, recusa “atuar sobre um diagnóstico incorreto do problema” e mantém a aposta num instrumento que, para Bruxelas e as instituições internacionais, continua a ser uma peça polémica no puzzle da habitação em Portugal.

Fonte: Idealista

Limitar acesso dos mais novos acabando com a garantia é “diagnóstico incorreto”

Executivo aponta a “persistente insuficiência da oferta habitacional” como o fator principal para a escala dos preços das casas. Diz que a garantia é uma medida “complementar” face às políticas estruturais orientadas para o aumento da oferta.

A garantia pública que tem ajudado os jovens a obterem financiamento para comprarem casa não é, na perspetiva do Governo, um fator “determinante do aumento dos preços das casas”. O Ministério das Infraestruturas e Habitação defende que não são os mais novos os causadores da escalada – há várias outras explicações para essa evolução – pelo que travar o acesso destes à habitação seria fazer um “diagnóstico incorreto do problema”.

Sustentando que “não se afigura rigoroso concluir que a garantia pública constitua a causa determinante do aumento dos preços da habitação”, o gabinete do ministério tutelado por Miguel Pinto Luz diz, em resposta ao Chega, que “o problema estrutural do mercado habitacional em Portugal não reside na legítima aspiração dos jovens a autonomizarem-se, constituírem família e fixarem-se no território nacional”.

“A evolução do mercado habitacional deve ser analisada à luz de um conjunto alargado de fatores, entre os quais se destacam a recente descida das taxas de juro, a existência de procura acumulada ao longo dos últimos anos, a trajetória de valorização dos ativos imobiliários e, de forma particularmente relevante, a persistente insuficiência da oferta habitacional”, sublinha.

A questão central [para travar a escalada dos preços das casas] permanece o reforço da oferta de habitação.

Sem dar uma métrica para o défice de imóveis – o Banco de Portugal aponta para um desencontro entre a oferta e a procura que ascende a 300 mil habitações -, o Executivo diz que “importa sublinhar que a questão central permanece o reforço da oferta de habitação”, algo que espera possa acontecer com as medidas anunciadas recentemente, tanto para a reforma do mercado de arrendamento como para incentivar a nova construção a preços moderados.

Rendas antigas de inquilinos com menos de 65 anos podem perder proteção
“Entender que a contenção da procura, designadamente através da limitação do acesso dos jovens à aquisição de habitação própria, constitui a solução para mitigar pressões sobre os preços equivaleria a atuar sobre um diagnóstico incorreto do problema”, atira o Ministério das Infraestruturas e Habitação. “A resposta adequada não reside na redução das legítimas aspirações dos jovens portugueses, mas antes na criação de condições efetivas para que possam viver, trabalhar, constituir família e fixar-se em Portugal”, conclui.

Políticas estruturais de habitação
Defendendo a garantia pública, o Executivo salienta que esta medida que estará em vigor até 31 de dezembro deste ano “deve ser entendida como uma medida de apoio à emancipação residencial dos jovens, assumindo natureza complementar face às políticas estruturais orientadas para o aumento da oferta habitacional, não as substituindo”.

“Essa estratégia combina apoios ao acesso no curto prazo com medidas estruturais destinadas a aumentar a oferta, reforçar o parque habitacional público e acessível, mobilizar investimento público e privado e criar condições para uma maior estabilidade do mercado”, acrescenta a resposta enviada ao partido liderado por André Ventura.

Fonte: Jornal de Negócios

Avaliação das casas fixa novo recorde acima dos 2.200 euros/m2

Para apurar o valor mediano de avaliação bancária na habitação, foram consideradas 35.552 avaliações (22.139 apartamentos e 13.413 moradias).

As avaliações bancárias das casas em Portugal continuam a renovar máximos históricos, numa trajetória de subida consistente ao longo dos últimos anos. Segundo dados divulgados esta sexta-feira, 26 de junho de 2026, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor mediano da avaliação bancária fixou-se, em maio, nos 2.208 euros por metro quadrado (m2), mais 34 euros do que em abril e 17,1% acima do registado em período homólogo.

Este é um elemento decisivo para quem recorre ao crédito habitação, já que é deste valor que depende, em grande medida, o montante que os bancos estão dispostos a financiar. “O valor mediano de avaliação bancária na habitação foi 2.208 euros por m2 em maio, mais 34 euros que o observado no mês precedente. Em termos homólogos, a taxa de variação fixou-se em 17,1% (16,5% no mês anterior)”, indica o INE.

Para apurar o valor mediano de avaliação bancária na habitação, foram consideradas 35.552 avaliações (22.139 apartamentos e 13.413 moradias), mais 0,8% que no período homólogo. Em comparação com o período anterior, realizaram-se mais 1.069 avaliações bancárias, o que corresponde a um acréscimo de 3,1%, segundo o documento.

Apartamentos valorizam 20% num ano

No caso dos apartamentos, o valor mediano de avaliação bancária subiu para 2.580 euros por m2, mais 19,7% do que em maio de 2025. A Grande Lisboa mantém-se como a região mais cara, com 3.378 euros/m2 seguida do Algarve, com 2.945 euros/m2. No extremo oposto continuam o Alentejo (1.584 euros/m2) e o Centro (1.686 euros/m2). Já o Oeste e Vale do Tejo registou o maior aumento homólogo, com uma subida de 26,3%.

A maioria dos apartamentos avaliados pela banca para conceder crédito habitação são T1, T2 e T3, representando 92,2% das avaliações neste período em análise. Todas as tipologias saíram valorizadas no último mês:

Apartamentos T1: valor mediano subiu 40 euros, para 3.279 euros/m2;
Apartamentos T2: valor cresceu 26 euros, para 2.641 euros/m2;
Apartamentos T3: valor aumentou 30 euros, para 2.229 euros/m2.

Banca avalia moradias em mais 13,4%

Nas moradias, a avaliação mediana fixou-se nos 1.581 euros por m2, o que representa um aumento de 13,4% face ao mesmo mês do ano passado. A Grande Lisboa (2.874 euros/m2) e o Algarve (2.786 euros/m2) continuam a apresentar os valores mais elevados, enquanto os Açores e o Oeste e Vale do Tejo lideraram a valorização anual, ambos com um crescimento de 18,6%.

O retrato regional mantém-se praticamente inalterado. A Grande Lisboa, o Algarve e a Península de Setúbal continuam a registar avaliações muito acima da mediana nacional – 50,4%, 31,6% e 23,3%, respetivamente. Em contraste, as regiões do interior, da Beira Baixa a Trás-os-Montes, permanecem mais de 50% abaixo desse valor de referência.

As moradias T2, T3 e T4 representaram 88,3% das avaliações realizadas no período em análise, com todas as tipologias a valorizar em termos mensais:

Moradias T2: valor mediano subiu 34 euros, para 1.576 euros/m2;
Moradias T3: valor subiu 4 euros, para 1.531 euros/m2;
Moradias T4: mediana cresceu 18 euros, para 1.672 euros/m2.

Fonte: Idealista

Comprar casa exige cada vez mais rendimento

A taxa de esforço necessária para comprar uma habitação de valor mediano no Norte atingiu 73,5% em 2025, segundo o relatório Norte Estrutura, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). O valor representa um aumento significativo face aos 52,5% registados em 2011 e evidencia o agravamento das dificuldades de acesso à habitação.
Nos concelhos do Porto, Póvoa de Varzim e Espinho, a taxa de esforço aproxima-se ou ultrapassa praticamente o rendimento disponível de um trabalhador com salário médio, tornando a compra de casa cada vez mais difícil.

O relatório conclui que a pressão sobre os preços da habitação resulta sobretudo do desalinhamento entre a oferta disponível e a procura, e não de uma falta generalizada de alojamentos. Em 2025, o Norte contabilizava cerca de 1,94 milhões de habitações, o equivalente a 1,35 alojamentos por agregado familiar.

permanente. Considerando apenas os imóveis mobilizáveis para venda ou arrendamento, a margem de oferta é reduzida, sobretudo na Área Metropolitana do Porto e no Cávado, onde existem apenas entre 2% e 4% mais habitações disponíveis do que agregados familiares.

O Norte consolidou-se como a principal região de construção habitacional em Portugal, representando 47,1% dos fogos concluídos entre 2015 e 2025. Apesar disso, o ritmo da nova construção continua abaixo dos níveis registados na primeira década do século.

Já a reabilitação mantém um peso reduzido na resposta às necessidades do mercado. Entre 2014 e 2025, as obras de requalificação cresceram apenas 12,7%, muito abaixo da evolução da construção nova.

Segundo o relatório, a procura habitacional tem sido impulsionada sobretudo pela mobilidade residencial, com o número de transações a superar largamente a criação de novos agregados familiares. Esta realidade contribui para o aumento dos preços e da taxa de esforço nos territórios urbanos mais dinâmicos.

Perante este cenário, a CCDR-N defende políticas públicas adaptadas às diferentes realidades territoriais, considerando que aumentar a oferta de habitação, por si só, não será suficiente para reduzir as dificuldades de acesso à casa.

Fonte: Supercasa

Portugal teve a maior subida do preço das casas na UE no primeiro trimestre

Portugal foi um dos 19 Estados-membros da União Europeia onde os preços das casas subiram mais do que as rendas, segundo os dados do Eurostat divulgados esta quinta-feira.
Portugal teve o maior aumento do preço das casas na União Europeia (UE) no primeiro trimestre. A subida do valor dos imóveis em Portugal foi de 10,3% em comparação com o ano passado, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat.

Quando se compara o primeiro trimestre deste ano com a média anual de 2025, Portugal foi um dos 19 Estados-membros da UE onde os preços das casas subiram mais do que as rendas. A segunda maior subida foi registada na Bulgária (+9,4%) e depois na Eslováquia (+9,1%). Por outro lado, França (-0,5%) e a Finlândia (-1,8%) foram os únicos países onde os preços das casas desceram.

“Durante o mesmo período, as rendas aumentaram em todos os países da UE, exceto na Eslovénia, onde caíram 0,9%, e na Finlândia, onde se mantiveram inalteradas. Entre os restantes países da UE, o maior aumento registou-se na Croácia (+21,9%), seguida da Bulgária (+6,4%) e da Grécia (+5%)”, lê-se no relatório do organismo de estatística europeu.

No cômputo geral, entre janeiro e março de 2026, os preços das casas na UE subiram 5,1%, enquanto as rendas aumentaram 3% em termos homólogos. Face ao último trimestre de 2025, os preços das casas aumentaram 1,2% e as rendas 0,7%.

Portugal tem vindo a registar aumentos consecutivos quer nas rendas quer nos valores dos imóveis para compra/venda. Nos primeiros três meses do ano, a renda mediana dos mais de 39 mil contratos assinados atingiu os 9,46 euros por metro quadrado. Isto significa que a mediana ficou 9,1% acima do valor dos novos contratos do primeiro trimestre de 2025, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística.

Fonte: Eco

Rendas aceleram e sobem 9,1% no arranque do ano

Foram celebrados 39.395 novos contratos de arrendamento no primeiro trimestre de 2026, revela o INE, que esteve mais de um ano sem divulgar dados.

O mercado de arrendamento em Portugal mantém-se sob forte pressão, num arranque de ano marcado por nova subida dos preços. No primeiro trimestre de 2026, a renda mediana dos novos contratos fixou-se nos 9,46 euros por metro quadrado, um aumento de 9,1% face ao mesmo período de 2025. Trata-se de uma aceleração em relação ao trimestre anterior, quando a subida tinha sido de 7,9%, segundo dados divulgados esta sexta-feira, 26 de junho de 2026, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O número de novos contratos também aumentou, embora de forma ligeira: mais 0,7% do que no primeiro trimestre de 2025, para 39.395, sugerindo estabilidade na procura apesar do contexto de preços elevados.

Recorde-se que o instituto estatístico não revelava informação sobre este indicador há mais de um ano, em virtude da integração de novos fluxos de informação do Fisco, depois de alterações legislativas permitirem que inquilinos comuniquem contratos quando os senhorios não o fazem atempadamente. Estes resultados fazem parte, por isso, de uma série estatística nova, mais abrangente do que a anterior.

Recorde-se que o INE passou a ter acesso, por parte da Autoridade Tributária, a um conjunto alargado de informação sobre os contratos de arrendamento, que cobre agora todas as alterações efetuadas no mês de referência, independentemente de existir recibo de renda electrónica emitido nesse período, e inclui variáveis inéditas, como a identificação de senhorios. Na prática, o universo de contratos analisados cresceu cerca de 50% face à série anterior, o que torna os dados estruturalmente mais completos e fiáveis, sem alterar as tendências gerais observadas, segundo indica o gabinete estatístico.

De acordo com o mais recente relatório estatístico, a subida das rendas foi generalizada, com aumentos homólogos em todas as 26 sub-regiões do país, ainda que o mercado se continue a mostrar fortemente assimétrico. A Grande Lisboa continua a liderar de forma destacada, com uma renda mediana de 14,38 euros/m2, seguida da Região Autónoma da Madeira (11,97 euros/m2), da Península de Setúbal (11,35 euros/m2), do Algarve (10,71 euros/m2) e da Área Metropolitana do Porto (10,13 euros/m2). Estas cinco sub-regiões são as únicas onde os valores superam a mediana nacional.

Lisboa, por sua vez, continua a registar os valores mais elevados do país, com uma renda mediana de 17,42 euros/m2 entre os concelhos com mais de 100 mil habitantes. Ainda assim, a variação homóloga na capital (8,2%) ficou abaixo da média nacional, sugerindo uma ligeira desaceleração do ritmo de crescimento num mercado já muito pressionado, enquanto outras regiões continuam a ajustar preços a maior velocidade.

Preço do arrendamento dispara em Vila Nova de Famalicão

Entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes analisados, Vila Nova de Famalicão registou a maior subida homóloga, com um aumento de 15,1%, para 6,80 euros/m2. O município destacou-se também no número de novos contratos, com uma variação de 13,4%, a mais expressiva deste grupo.

“No 1.º trimestre de 2026, metade dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes apresentaram taxas de variação homóloga do número de novos contratos superiores à nacional (0,7%), destacando-se Vila Nova de Famalicão (13,4%) e Oeiras (10,5%), com as maiores variações. Por outro lado, o número de novos contratos diminuiu em 12 dos municípios em análise, com destaque para o Seixal (-9,0%) e Matosinhos (-8,5%)”, indica o INE.

Todos os municípios com mais de 100 mil habitantes da Grande Lisboa e da Península de Setúbal registaram rendas medianas superiores à nacional (9,46 euros/m2), embora apenas Almada (13,64 euros/m2 e 14,9%) e Vila Franca de Xira (10,93 euros/m2 e 10,5%) tenham apresentado aumentos homólogos do valor das rendas superiores ao do país (9,1%).

Na Área Metropolitana do Porto, todos os municípios registaram rendas medianas superiores à referência nacional, com exceção de Gondomar (8,71 euros/m2 e 8,7%) e de Santa Maria da Feira (6,58 eruos/m2 e 6,0%), e variações homólogas inferiores.

O INE revela ainda que, tomando como referência os 149.690 contratos de arrendamento celebrados nos últimos 12 meses terminados em março de 2026, a renda mediana em Portugal foi 9,50 euros/m2, tendo aumentado 2,3% relativamente ao ano acabado em dezembro de 2025 e 8,8% relativamente ao ano terminado em março de 2025. O preço mediano da habitação foi superior ao valor nacional nas sub-regiões da Grande Lisboa (14,43 euros/m2), Região Autónoma da Madeira (11,82 euros/m2), Península de Setúbal (11,34 euros/m2), Algarve (10,71 euros/m2) e Área Metropolitana do Porto (10,36 euros/m2).

Fonte: Idealista

Mais de metade dos empréstimos em 2025 passou por intermediários de crédito

Em 2025, 50,6% do crédito foi concedido com intervenção de intermediários, ultrapassando pela primeira vez o canal direto dos bancos, indica o BdP.

Mais de metade do crédito concedido em 2025 teve intervenção de intermediários de crédito, segundo dados do Banco de Portugal, que fala numa mudança na forma de comercialização de empréstimos em Portugal com a crescente importância destes operadores.

Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito, esta segunda‑feira, dia 22 de junho de 2026 divulgado, o peso do crédito concedido através de intermediários de crédito foi de 50,6% em 2025, acima dos 49,9% de 2024.

Esta é a primeira vez que os intermediários de crédito são o principal canal de comercialização de crédito em Portugal desde a entrada em vigor do regime que regula a atividade destes operadores no mercado, em 2018, segundo o regulador e supervisor bancário.

Em sentido oposto, já o crédito concedido ao cliente diretamente pelo banco passou de 50,1% em 2024 para 49,4% em 2025.

Para o Banco de Portugal, tal “sinaliza uma mudança no modelo de distribuição do crédito aos consumidores, sendo que o aumento do peso dos intermediários de crédito reflete o acréscimo da sua importância no crédito pessoal e no crédito renovável”.

Por segmentos, apenas no crédito habitação e hipotecário, em 2024 os intermediários de crédito já estavam envolvidos na comercialização de mais de metade desse crédito e tal manteve‑se em 2025, em ambos os casos nos 57%.

No crédito aos consumidores, os intermediários intervieram em 49,9% do total em 2024 e 50,6% em 2025. Dentro deste, no crédito automóvel os intermediários de crédito estiveram envolvidos em 82,6% do crédito concedido.

O intermediário de crédito é uma pessoa ou entidade que não concede crédito, mas intervém no processo, apresentando propostas de empréstimos dos bancos aos consumidores (por exemplo, para compra de habitação, automóvel ou eletrodomésticos).

Em Portugal, no final de 2025, havia 6.216 intermediários de crédito autorizados pelo Banco de Portugal.

Fonte: Idealista

Taxa mista voltou a ser a preferida no crédito à habitação, mas portugueses voltam a ‘apostar’ na variável

Subida das taxas parecia ter mudado os hábitos dos portugueses no crédito à habitação. Mas com a descida dos juros no ano passado mais famílias voltaram ao passado e preferiram taxas variáveis.
Nos últimos anos, os portugueses passaram a preferir a taxa de juro mista nos empréstimos da casa como forma de se protegerem da subida das taxas de juro. Parecia ser uma mudança estrutural no mercado do crédito à habitação, mas mais famílias regressaram aos velhos hábitos no ano passado e voltaram a ‘apostar’ na taxa variável.

A taxa mista, que têm um período inicial de taxa fixa seguido de um período de taxa variável, voltou a ser a preferida dos portugueses: representaram 75% dos novos empréstimos celebrados no ano passado, tanto em número de contratos como de montante de crédito concedido.

Ainda assim, e de acordo com os dados do Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito divulgado esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, o seu peso reduziu-se face ao 2024, ano em que mais de 8 em cada dez empréstimos tinham taxa mista.

Esta redução deu-se a expensas da taxa variável – a que os portugueses historicamente dão preferência. A taxa variável esteve presente em quase 19% dos empréstimos, aumentando significativamente o seu peso face ao ano anterior (cerca de 12%).

Já a taxa fixa – em que não ocorrem alterações da prestação e a taxa de juro tende a ser mais elevada refletindo a proteção que o cliente adquire – manteve-se praticamente estável, representando cerca de 6% dos créditos.

No final de 2025, as carteiras dos bancos tinham estas taxas: pouco mais de 50% do crédito tinha taxa variável e a taxa mista tinha um peso de 44,2%.

Euribor a 6 meses é o indexante mais usado
A Euribor a 6 meses voltou a ser o indexante mais usado nos contratos com taxa variável, representando 58,9% dos novos contratos e 57,5% do montante de crédito concedido em 2025. Superou mesmo os valores observados em 2024.

A Euribor a 12 meses também aumentou na contratação de crédito à habitação, representando 32,7% dos novos contratos e 32,5% do montante concedido no ano passado.

Por sua vez, a Euribor a 3 meses perdeu força, com um peso ligeiramente acima de 3% no número de contratos e montante concedido.

Fonte: Eco

Investimento imobiliário: previsões para o 2º semestre são otimistas

É esperada uma retoma do investimento na segunda metade de 2026, depois de meses marcados pelo agravamento do contexto geopolítico.

O conflito do Médio Oriente foi o maior responsável pelo abrandamento do ritmo do investimento imobiliário global no arranque de 2026. No entanto, é esperada uma recuperação na segunda metade do ano, com um aumento previsto de cerca de 18% nas transações pendentes no segundo trimestre face ao trimestre anterior.

O agravamento da situação no Médio Oriente refletiu-se num choque de oferta através dos preços da energia, com impacto nas expectativas de inflação, taxas de juro e crescimento, o que levou a que, no mês de março, as decisões de investimento tivessem abrandado em vários mercados. Contudo, os dados apontam sobretudo para operações adiadas e não para uma quebra estrutural da procura ou um colapso do ‘pipeline’ de investimento.

Este movimento integra-se num período de “grande volatilidade” desde início da década, marcada por diversos choques como a pandemia do Covid-19, a invasão da Ucrânia, as novas tarifas às importações nos EUA e, este ano, o conflito entre Irão, EUA e Israel.

Identifica-se ainda uma tendência dos investidores em adotarem uma gestão mais dinâmica do risco, mantendo-se assim ativos mesmo em fases de grande volatilidade. Por este motivo, o imobiliário tem mantido a sua resiliência neste atual contexto de conflitos, mesmo sendo uma classe de ativos ligada ao ciclo do PIB.

Preço das casas mais do que duplicou em 157 municípios desde 2017

BdP revela que custo da habitação subiu 200% na periferia de Lisboa em menos de uma década. E são esperadas novas subidas.

Os preços da habitação mais do que duplicaram em 157 municípios entre 2017 e 2025, com as maiores valorizações a serem registadas na Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal, segundo o Banco de Portugal.

Nos concelhos de Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal a variação do valor mediano por metro quadrado das casas vendidas apresentou valores superiores a 200% no período em análise.

A conclusão é do estudo “Habitação em Portugal: determinantes da oferta e dinâmica de preços e rendas”, publicado no Boletim Económico de junho divulgado pelo Banco de Portugal esta segunda-feira, dia 15 de junho.

Já o valor mediano das rendas por metro quadrado mais do que duplicou em 23 municípios (num total de 184 para os quais existe informação), destacando-se os concelhos de Grândola, Sines e Moita, com variações superiores a 125% no período entre 2017 e 2024 (o último ano para o qual o INE divulgou valores das rendas).

De acordo com o estudo, o incremento imobiliário foi mais intenso nos municípios que apresentavam preços de aquisição menos valorizados face às rendas aí praticadas, com a procura a deslocar-se “para municípios relativamente mais acessíveis” nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Em comparação, os municípios do Algarve, “que já se destacavam com rácios preço-renda superiores à média nacional ― muito influenciados pela procura por não residentes”, registaram variações relativamente menores no período considerado.

Consumidores em Portugal esperam novos aumentos do custo da habitação
O estudo conclui também que em Portugal as expectativas dos consumidores sobre o comportamento dos preços de habitação nos próximos 12 meses “evidenciam uma evolução crescente e níveis persistentemente superiores aos da área do euro”.

Entre janeiro e março de 2026, a expectativa era de um aumento dos preços de habitação, em média, de 7% em Portugal e de 3,7% na área do euro, com Portugal a apresentar “uma perceção generalizada de que o momento atual é favorável ao investimento” e à aplicação das poupanças no mercado de habitação.

Os autores do estudo ressalvam a existência de “elevada heterogeneidade nas expectativas dos consumidores nacionais, com os jovens (18–34 anos) a anteciparem uma subida de 4%, em média, e os consumidores na faixa etária dos 55–70 anos a anteverem um crescimento de 6,3%.

“Esta diferença poderá estar associada ao facto de as gerações mais velhas, com um historial mais longo de observação dos preços e dos ciclos económicos no mercado imobiliário, tenderem a ancorar as suas expectativas em fenómenos inflacionários já vividos”, lê-se no documento.

A nível regional, as expectativas mais elevadas concentram-se na região Norte (6,8%) e na Área Metropolitana de Lisboa (6,6%), em contraste com valores mais baixos no Alentejo e Algarve (3,7% em ambas).

Apesar do forte crescimento dos preços, o estudo do Banco de Portugal revela que o peso do crédito bancário nas transações de casas manteve-se abaixo de 60% ao longo dos últimos anos, com a parte restante a ser assegurada pelo recurso a capitais próprios na compra de habitação.

Contudo, o crescimento dos empréstimos foi mais forte desde o início de 2024, coincidindo com a descida das taxas de juro e também com “o regime da garantia do Estado” criado para os jovens.

Os autores do estudo – Nuno Alves, João Amador, Beatriz Amorim, João Bonito Gomes, Cristina Manteu, António Santos e Carlos Santos – apontam ainda limitações às estatísticas sobre o mercado habitacional, considerando-as “insuficientes” para avaliar “as quantidades procuradas e oferecidas para cada preço”, a “evolução das preferências das famílias”, a “estrutura de custos associada à construção de habitação” e as “condições de concorrência no setor”.

Fonte: Idealista