Mais de metade dos empréstimos em 2025 passou por intermediários de crédito

Em 2025, 50,6% do crédito foi concedido com intervenção de intermediários, ultrapassando pela primeira vez o canal direto dos bancos, indica o BdP.

Mais de metade do crédito concedido em 2025 teve intervenção de intermediários de crédito, segundo dados do Banco de Portugal, que fala numa mudança na forma de comercialização de empréstimos em Portugal com a crescente importância destes operadores.

Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito, esta segunda‑feira, dia 22 de junho de 2026 divulgado, o peso do crédito concedido através de intermediários de crédito foi de 50,6% em 2025, acima dos 49,9% de 2024.

Esta é a primeira vez que os intermediários de crédito são o principal canal de comercialização de crédito em Portugal desde a entrada em vigor do regime que regula a atividade destes operadores no mercado, em 2018, segundo o regulador e supervisor bancário.

Em sentido oposto, já o crédito concedido ao cliente diretamente pelo banco passou de 50,1% em 2024 para 49,4% em 2025.

Para o Banco de Portugal, tal “sinaliza uma mudança no modelo de distribuição do crédito aos consumidores, sendo que o aumento do peso dos intermediários de crédito reflete o acréscimo da sua importância no crédito pessoal e no crédito renovável”.

Por segmentos, apenas no crédito habitação e hipotecário, em 2024 os intermediários de crédito já estavam envolvidos na comercialização de mais de metade desse crédito e tal manteve‑se em 2025, em ambos os casos nos 57%.

No crédito aos consumidores, os intermediários intervieram em 49,9% do total em 2024 e 50,6% em 2025. Dentro deste, no crédito automóvel os intermediários de crédito estiveram envolvidos em 82,6% do crédito concedido.

O intermediário de crédito é uma pessoa ou entidade que não concede crédito, mas intervém no processo, apresentando propostas de empréstimos dos bancos aos consumidores (por exemplo, para compra de habitação, automóvel ou eletrodomésticos).

Em Portugal, no final de 2025, havia 6.216 intermediários de crédito autorizados pelo Banco de Portugal.

Fonte: Idealista

Taxa mista voltou a ser a preferida no crédito à habitação, mas portugueses voltam a ‘apostar’ na variável

Subida das taxas parecia ter mudado os hábitos dos portugueses no crédito à habitação. Mas com a descida dos juros no ano passado mais famílias voltaram ao passado e preferiram taxas variáveis.
Nos últimos anos, os portugueses passaram a preferir a taxa de juro mista nos empréstimos da casa como forma de se protegerem da subida das taxas de juro. Parecia ser uma mudança estrutural no mercado do crédito à habitação, mas mais famílias regressaram aos velhos hábitos no ano passado e voltaram a ‘apostar’ na taxa variável.

A taxa mista, que têm um período inicial de taxa fixa seguido de um período de taxa variável, voltou a ser a preferida dos portugueses: representaram 75% dos novos empréstimos celebrados no ano passado, tanto em número de contratos como de montante de crédito concedido.

Ainda assim, e de acordo com os dados do Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito divulgado esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, o seu peso reduziu-se face ao 2024, ano em que mais de 8 em cada dez empréstimos tinham taxa mista.

Esta redução deu-se a expensas da taxa variável – a que os portugueses historicamente dão preferência. A taxa variável esteve presente em quase 19% dos empréstimos, aumentando significativamente o seu peso face ao ano anterior (cerca de 12%).

Já a taxa fixa – em que não ocorrem alterações da prestação e a taxa de juro tende a ser mais elevada refletindo a proteção que o cliente adquire – manteve-se praticamente estável, representando cerca de 6% dos créditos.

No final de 2025, as carteiras dos bancos tinham estas taxas: pouco mais de 50% do crédito tinha taxa variável e a taxa mista tinha um peso de 44,2%.

Euribor a 6 meses é o indexante mais usado
A Euribor a 6 meses voltou a ser o indexante mais usado nos contratos com taxa variável, representando 58,9% dos novos contratos e 57,5% do montante de crédito concedido em 2025. Superou mesmo os valores observados em 2024.

A Euribor a 12 meses também aumentou na contratação de crédito à habitação, representando 32,7% dos novos contratos e 32,5% do montante concedido no ano passado.

Por sua vez, a Euribor a 3 meses perdeu força, com um peso ligeiramente acima de 3% no número de contratos e montante concedido.

Fonte: Eco

Investimento imobiliário: previsões para o 2º semestre são otimistas

É esperada uma retoma do investimento na segunda metade de 2026, depois de meses marcados pelo agravamento do contexto geopolítico.

O conflito do Médio Oriente foi o maior responsável pelo abrandamento do ritmo do investimento imobiliário global no arranque de 2026. No entanto, é esperada uma recuperação na segunda metade do ano, com um aumento previsto de cerca de 18% nas transações pendentes no segundo trimestre face ao trimestre anterior.

O agravamento da situação no Médio Oriente refletiu-se num choque de oferta através dos preços da energia, com impacto nas expectativas de inflação, taxas de juro e crescimento, o que levou a que, no mês de março, as decisões de investimento tivessem abrandado em vários mercados. Contudo, os dados apontam sobretudo para operações adiadas e não para uma quebra estrutural da procura ou um colapso do ‘pipeline’ de investimento.

Este movimento integra-se num período de “grande volatilidade” desde início da década, marcada por diversos choques como a pandemia do Covid-19, a invasão da Ucrânia, as novas tarifas às importações nos EUA e, este ano, o conflito entre Irão, EUA e Israel.

Identifica-se ainda uma tendência dos investidores em adotarem uma gestão mais dinâmica do risco, mantendo-se assim ativos mesmo em fases de grande volatilidade. Por este motivo, o imobiliário tem mantido a sua resiliência neste atual contexto de conflitos, mesmo sendo uma classe de ativos ligada ao ciclo do PIB.

Preço das casas mais do que duplicou em 157 municípios desde 2017

BdP revela que custo da habitação subiu 200% na periferia de Lisboa em menos de uma década. E são esperadas novas subidas.

Os preços da habitação mais do que duplicaram em 157 municípios entre 2017 e 2025, com as maiores valorizações a serem registadas na Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal, segundo o Banco de Portugal.

Nos concelhos de Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal a variação do valor mediano por metro quadrado das casas vendidas apresentou valores superiores a 200% no período em análise.

A conclusão é do estudo “Habitação em Portugal: determinantes da oferta e dinâmica de preços e rendas”, publicado no Boletim Económico de junho divulgado pelo Banco de Portugal esta segunda-feira, dia 15 de junho.

Já o valor mediano das rendas por metro quadrado mais do que duplicou em 23 municípios (num total de 184 para os quais existe informação), destacando-se os concelhos de Grândola, Sines e Moita, com variações superiores a 125% no período entre 2017 e 2024 (o último ano para o qual o INE divulgou valores das rendas).

De acordo com o estudo, o incremento imobiliário foi mais intenso nos municípios que apresentavam preços de aquisição menos valorizados face às rendas aí praticadas, com a procura a deslocar-se “para municípios relativamente mais acessíveis” nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Em comparação, os municípios do Algarve, “que já se destacavam com rácios preço-renda superiores à média nacional ― muito influenciados pela procura por não residentes”, registaram variações relativamente menores no período considerado.

Consumidores em Portugal esperam novos aumentos do custo da habitação
O estudo conclui também que em Portugal as expectativas dos consumidores sobre o comportamento dos preços de habitação nos próximos 12 meses “evidenciam uma evolução crescente e níveis persistentemente superiores aos da área do euro”.

Entre janeiro e março de 2026, a expectativa era de um aumento dos preços de habitação, em média, de 7% em Portugal e de 3,7% na área do euro, com Portugal a apresentar “uma perceção generalizada de que o momento atual é favorável ao investimento” e à aplicação das poupanças no mercado de habitação.

Os autores do estudo ressalvam a existência de “elevada heterogeneidade nas expectativas dos consumidores nacionais, com os jovens (18–34 anos) a anteciparem uma subida de 4%, em média, e os consumidores na faixa etária dos 55–70 anos a anteverem um crescimento de 6,3%.

“Esta diferença poderá estar associada ao facto de as gerações mais velhas, com um historial mais longo de observação dos preços e dos ciclos económicos no mercado imobiliário, tenderem a ancorar as suas expectativas em fenómenos inflacionários já vividos”, lê-se no documento.

A nível regional, as expectativas mais elevadas concentram-se na região Norte (6,8%) e na Área Metropolitana de Lisboa (6,6%), em contraste com valores mais baixos no Alentejo e Algarve (3,7% em ambas).

Apesar do forte crescimento dos preços, o estudo do Banco de Portugal revela que o peso do crédito bancário nas transações de casas manteve-se abaixo de 60% ao longo dos últimos anos, com a parte restante a ser assegurada pelo recurso a capitais próprios na compra de habitação.

Contudo, o crescimento dos empréstimos foi mais forte desde o início de 2024, coincidindo com a descida das taxas de juro e também com “o regime da garantia do Estado” criado para os jovens.

Os autores do estudo – Nuno Alves, João Amador, Beatriz Amorim, João Bonito Gomes, Cristina Manteu, António Santos e Carlos Santos – apontam ainda limitações às estatísticas sobre o mercado habitacional, considerando-as “insuficientes” para avaliar “as quantidades procuradas e oferecidas para cada preço”, a “evolução das preferências das famílias”, a “estrutura de custos associada à construção de habitação” e as “condições de concorrência no setor”.

Fonte: Idealista

Portugal precisa de 70 mil novas casas por ano, avisam promotores

País enfrenta um défice estrutural estimado de 300 mil habitações, acumulado ao longo da última década.

Se quiser resolver o défice acumulado de habitação, Portugal terá de triplicar a produção anual de casas, passando de cerca de 20 mil para pelo menos 70 mil novos fogos por ano até 2029. O aviso é da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII).

De acordo com a associação, Portugal enfrenta um “défice estrutural estimado de 300 mil habitações, acumulado ao longo da última década”, sendo fundamental “estabilidade legislativa, industrialização e procedimentos de licenciamento verdadeiramente céleres” para aumentar a oferta.

Em comunicado, a APPII adianta que esteve presente na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, onde apresentou aos diferentes partidos a sua posição sobre o atual estado da habitação em Portugal, nomeadamente as medidas que considera mais importante para combater a crise.

“A discussão sobre habitação tem de começar pelo licenciamento. Sem previsibilidade, sem segurança jurídica e sem redução efetiva da burocracia, continuaremos a ter projetos parados durante anos e casas que não chegam ao mercado”, afirma Hugo Santos Ferreira, Presidente da APPII, citado no mesmo documento.

“Sem oferta, não haverá condições para construir as casas a preços acessíveis que os portugueses possam pagar (…). São os promotores que constroem as casas, não o Estado, por isso importa trabalharmos juntos para a resolução deste desígnio nacional”, acrescenta.

Licenciamentos: cada ano de atraso representa mais 500 euros por m2
Manuel Maria Gonçalves, CEO da associação, não tem dúvidas de que só “com escala, industrialização e enquadramento estável é possível construir mais e a custos compatíveis com o rendimento das famílias”.

“Nos últimos três anos houve mais de 50 mil fogos licenciados que não saíram do papel por não serem economicamente viáveis”, exemplifica. Em causa estavam projetos cujo “processo de licenciamento foi concluído, com autorização para construir”, e que não avançaram por não serem financeiramente sustentáveis.

A APPII recorda ainda que cada ano de atraso num processo de licenciamento pode representar um acréscimo de cerca de 500 euros por metro quadrado no custo final da habitação. Isto significa que, “numa casa de 75m2, por cada ano de atraso, a casa vai encarecer 37.500 euros, aumentando significativamente o preço suportado pelas famílias”, sublinha Manuel Maria Gonçalves.

Fonte: Idealista

Crédito habitação atinge maior montante total de sempre em Portugal

Valor total de empréstimos habitação atingiu 114,6 mil milhões de euros em abril. BdP fala em maior aumento em 23 anos.

A alta procura por financiamento para comprar casa nos últimos anos acumulou o maior montante de sempre em empréstimos habitação em Portugal, de 114,6 mil milhões de euros. Este valor total concedido em créditos habitação foi registado em abril e trata-se de um aumento anual de 10,7%, o mais elevado em 23 anos, informou o Banco de Portugal (BdP).

A nível mensal, “o stock de empréstimos para habitação aumentou 1.021 milhões de euros, atingindo 114,6 mil milhões de euros no final de abril”, revela o BdP no boletim divulgado esta segunda-feira, dia 1 de junho.

Este é mesmo o maior montante total de empréstimos habitação registado pelo supervisor bancário, que tem dados que remontam a 1979, superando mesmo os níveis registados no início de 2011 – também acima de 114 mil milhões de euros – altura em que o país estava mergulhado na crise imobiliária iniciada em 2008.

Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o valor total concedido em créditos habitação em Portugal cresceu 10,7%. “A taxa de variação anual dos empréstimos para habitação foi a mais elevada desde fevereiro de 2003”, assinala ainda o banco central.

No cenário europeu, Portugal apresenta a quarta maior taxa de variação anual no stock de empréstimos habitação, estando apenas atrás da Bulgária (27,1%), da Croácia (15%) e da Lituânia (14,3%). E continua bem acima da média da área euro (2,9%), algo que já acontece desde agosto de 2024.

Há vários fatores que ajudam a explicar este aumento anual que elevou o montante total de crédito habitação em Portugal para novos máximos. Por um lado, os preços das casas têm vindo a aumentar a dois dígitos, elevando os montantes dos créditos. Por outro lado, as taxas de juro ainda estão acessíveis, apesar de já estarem a subir à boleia da Euribor que já sente os impactos da guerra no Médio Oriente e antecipa um aumento dos juros diretores por parte do Banco Central Europeu em junho.

A somar a tudo isto, há ainda os incentivos aos jovens para comprarem a sua primeira casa, como a isenção de IMT e a garantia pública. Esta última medida, ao permitir financiamentos a 100%, também eleva os montantes solicitados, com o BdP a alertar para os riscos que daí advêm. Para prevenir problemas futuros, o regulador liderado por Álvaro Santos Pereira já avançou com alterações ao limite máximo da taxa de esforço reduzindo-o de 50% para 45%.

O dinamismo na compra de casa no país também se reflete nas empresas que estão a pedir cada vez mais dinheiro à banca de forma a financiar novos empreendimentos residenciais. “O crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias continuou a acelerar, atingindo uma taxa de variação anual de 12,1% (11,6% em março)”, lê-se ainda no boletim. É a maior taxa de variação anual entre os principais setores de atividade empresarial analisados.

Fonte: Idealista

Preços das casas sobem 10,2% e atingem novo máximo histórico em maio

O preço mediano de compra situou-se em 3.142 euros/m². Em termos trimestrais, a variação foi de +2,2% e registaram-se subidas anuais nas 19 capitais de distrito e regiões autónomas, diz o idealista.
Os preços das casas em Portugal subiram 10,2% em maio face ao mesmo mês de 2025, segundo o índice de preços do idealista publicado esta segunda-feira, 1 de junho.

O preço mediano de compra situou-se em 3.142 por metro quadrado no final de maio, um novo máximo histórico pelo sétimo mês consecutivo. Em termos trimestrais, a variação foi de +2,2%.

Em maio de 2026 registaram-se subidas anuais nas 19 capitais de distrito e regiões autónomas analisadas.

As maiores valorizações ocorreram em Santarém (+30,9%), Portalegre (+28,2%), Beja (+23,6%), Bragança (+23,1%), Coimbra (+22,3%) e Viseu (+22,1%).

Lisboa continua a ser a cidade mais cara, com um preço mediano de 6.124 euros/m², seguida do Porto (4.064 euros/m²), Funchal (3.863 euros/m²) e Faro (3.792 euros/m²).

Por distritos e ilhas, os preços subiram em 24 dos 25 territórios, com destaque para Porto Santo (+26,8%), Terceira (+26,3%) e Santarém (+25,6%). A única exceção foi o Faial, com uma queda de 3,7%.

No ranking por distrito, Lisboa lidera com 4.709 euros/m², seguida de Faro (4.057 euros/m²) e da ilha da Madeira/Porto Santo (ambas 3.647 euros/m²).

Todas as regiões do país apresentaram aumentos anuais, sendo que o Alentejo teve a maior subida (+19,9%), seguido do Centro (+15,4%) e dos Açores (+12,7%).

A Área Metropolitana de Lisboa mantém‑se como a região mais cara (4.391 euros/m²), enquanto o Centro é a mais acessível (€1.794/m²).

Fonte: DinheiroVivo