Comprar casa em Portugal ficou 7,5% mais caro em agosto

Preço mediano atingiu 3.207 euros/m2, num mês em que Faro liderou as subidas entre as capitais de distrito, segundo o idealista.

O preço das casas à venda em Portugal continua a aumentar, embora o ritmo de subida tenha abrandado. Em agosto, o preço mediano da habitação aumentou 7,5% face ao mesmo mês de 2025, depois de ter registado um crescimento homólogo de 8% em julho, segundo o índice de preços do idealista.

Apesar deste salto termos anuais, o preço mediano por metro quadrado (m2) manteve-se praticamente estável face a julho. No final de agosto, comprar casa em Portugal tinha um preço mediano de 3.207 euros por metro quadrado (euros/m2), ligeiramente abaixo dos 3.210 euros/m2 registados no mês anterior.

Faro lidera as subidas entre as capitais de distrito

A tendência de subida dos preços das casas fez-se sentir em todas as 20 capitais de distrito e regiões autónomas analisadas em agosto de 2026. Faro registou o maior aumento homólogo, de 18,3%, à frente de Guarda (17,6%), Bragança (17,5%), Beja (17,4%) e Portalegre (17,3%).

Também Leiria (17,2%), Vila Real (16,5%), Coimbra (14,6%) e Santarém (14,3%) apresentaram aumentos expressivos no custo da habitação. Mais abaixo surgem Viana do Castelo (13,2%), Viseu (12,5%), Aveiro (12,3%), Braga (12,1%) e Évora (12,1%).

Por outro lado, Castelo Branco (10,6%), Setúbal (9,7%), Porto (9,4%), Ponta Delgada (7,7%), Funchal (7%) e Lisboa (3,2%) foram as cidades onde os preços menos cresceram no último ano. Tal como se verificou em julho, Lisboa registou a subida anual mais moderada entre as capitais analisadas.

Apesar deste crescimento mais contido, Lisboa mantém-se destacada como a cidade mais cara para comprar casa, com um preço mediano de 6.227 euros/m2. Seguem-se o Porto, com 4.324 euros/m2, o Funchal, com 4.042 euros/m2, e Faro, onde os preços atingem os 3.908 euros/m2. Setúbal ocupa a quinta posição, com 3.212 euros/m2.

Depois surgem Aveiro (2.818 euros/m2), Évora (2.669 euros/m2), Ponta Delgada (2.534 euros/m2), Coimbra (2.472 euros/m2), Braga (2.383 euros/m2) e Viana do Castelo (2.337 euros/m2).

Entre as cidades com valores inferiores a 2.000 euros/m2 encontram-se Leiria (1.959 euros/m2), Santarém (1.796 euros/m2), Viseu (1.751 euros/m2), Beja (1.533 euros/m2), Vila Real (1.452 euros/m2), Portalegre (1.242 euros/m2), Bragança (1.139 euros/m2) e Guarda (1.122 euros/m2). Castelo Branco continua a ser a cidade mais barata para adquirir habitação, com um valor mediano de 1.075 euros/m2.

Casas à venda ficam mais caras na maioria dos distritos e ilhas

No último ano, os preços das casas à venda aumentaram em quase todos os 25 distritos e ilhas analisados. A exceção foi a ilha do Faial, onde os valores recuaram 10,1% no mesmo período, tal como mostram os dados do idealista.

Santarém registou a maior subida anual, de 22,9%, seguindo-se a ilha do Pico (20,8%), a ilha Terceira (19,6%), Évora (19,5%), Viseu (17,1%), Portalegre (17%) e Coimbra (17%). Também Guarda (16,9%), Beja (16,3%), ilha de Santa Maria (14,8%), Aveiro (14,5%), Leiria (14,4%), Braga (13,2%) e Viana do Castelo (12,4%) apresentaram valorizações relevantes.

Já Setúbal (10,8%), Castelo Branco (10,6%), ilha de São Miguel (9,3%), ilha da Madeira (8,8%), Faro (8,7%), Vila Real (8,3%), Porto (7,5%), Bragança (7,2%), ilha de São Jorge (6,6%) e Lisboa (4%) registaram aumentos mais moderados.

Lisboa continua a ser o distrito mais caro para comprar casa, apresentando um preço mediano de 4.759 euros/m2. Seguem-se Faro (4.202 euros/m2), a ilha da Madeira (3.795 euros/m2) e Setúbal (3.476 euros/m2). Logo depois posicionam-se o Porto, com 3.167 euros/m2, e a ilha de São Miguel, com 2.388 euros/m2.

A meio da tabela encontram-se Aveiro (2.117 euros/m2), Leiria (2.071 euros/m2), Braga (2.022 euros/m2), ilha Terceira (1.791 euros/m2), ilha do Pico (1.778 euros/m2), Évora (1.777 euros/m2), Viana do Castelo (1.761 euros/m2), ilha de Santa Maria (1.736 euros/m2), Coimbra (1.706 euros/m2), Santarém (1.693 euros/m2) e ilha do Faial (1.674 euros/m2).

No extremo oposto estão os territórios com as casas à venda por preços mais acessíveis. São: Beja (1.521 euros/m2), ilha de São Jorge (1.510 euros/m2), Viseu (1.236 euros/m2), Vila Real (1.064 euros/m2), Portalegre (1.033 euros/m2), Castelo Branco (997 euros/m2), Bragança (872 euros/m2) e Guarda, que permanece como o distrito mais barato para comprar habitação, com 745 euros/m2.

Preço das casas para comprar nos distritos e ilhas
Valor mediano em agosto de 2026 (euros/m2)
Variação entre agosto de 2026 e o mesmo mês do ano passado (%)

Região Centro e Alentejo destacam-se na valorização das casas à venda
A evolução dos preços das casas em Portugal foi positiva em todas as regiões do país nos últimos 12 meses. O Centro destacou-se com a maior subida anual, de 14,1%, muito próximo do Alentejo, onde os preços avançaram 14%.

Seguem-se a Região Autónoma dos Açores, com uma valorização de 12,4%, a Região Autónoma da Madeira (9%), o Algarve (8,7%) e o Norte (7,4%). Por sua vez, a Área Metropolitana de Lisboa (AML) registou o aumento mais moderado, de 5%, mantendo a tendência já observada no mês anterior.

Apesar de apresentar a menor subida anual, a Área Metropolitana de Lisboa continua a ser a região mais cara para comprar casa, com um preço mediano de 4.457 euros/m2. O Algarve surge em segundo lugar, com 4.202 euros/m2, seguido da Região Autónoma da Madeira, onde o valor mediano se situa nos 3.796 euros/m2.

O Norte apresenta um custo mediano de 2.623 euros/m2, enquanto no Alentejo os preços chegam aos 2.172 euros/m2 e, nos Açores, aos 2.080 euros/m2. O Centro, apesar da subida expressiva, mantém-se como a região mais acessível para adquirir habitação, com um preço mediano de 1.773 euros/m2.

Índice de preços imobiliários do idealista
O idealista atualizou a metodologia do seu índice de preços da habitação para se adaptar às mudanças do mercado. Os novos filtros da plataforma permitem identificar e excluir do cálculo produtos como o arrendamento sazonal ou de férias, que não refletem o mercado residencial convencional. Além disso, foi reforçado o processo de deteção de valores anómalos com técnicas estatísticas mais robustas. A nova metodologia foi aplicada retroativamente a toda a série histórica, a fim de garantir a comparabilidade dos dados.

Para a realização do índice de preços imobiliários do idealista, são analisados ​​os preços de oferta (com base nos metros quadrados construídos) publicados pelos anunciantes do idealista. São eliminados da estatística anúncios atípicos e com preços fora de mercado. Incluímos ainda a tipologia “moradias unifamiliares” e descartamos todos os anúncios que se encontram na nossa base de dados e que estão há algum tempo sem qualquer tipo de interação pelos utilizadores. O resultado final é obtido através da mediana de todos os anúncios válidos de cada mercado.

O relatório completo encontra-se em:

https://www.idealista.pt/media/relatorios-preco-habitacao/venda/

Fonte: Idealista

Imóvel comprado com garantia pública pode ser vendido antes de terminarem os 10 anos do apoio do Estado

DECO diz ao Jornal PT50 que não se deve confundir “10 anos de duração máxima da garantia pública” com “10 anos de obrigação de permanência no imóvel”.

Os créditos com garantia pública do Estado já superavam 40 mil no final de junho, segundo os dados do Banco de Portugal, representando mais de 45% dos contratos celebrados para este efeito por jovens até aos 35 anos. O segundo trimestre bateu recordes, com 7776 empréstimos ao abrigo desta medida, num montante total de 1,7 mil milhões.

No entanto, há questões que surgem sobre os detalhes destes contratos – que têm a garantia do Estado durante dez anos – e o que implicam para os mutuários. Uma dessas dúvidas prende-se com a venda do imóvel antes do final do período da garantia.

Em suma, a garantia pública do Estado não impede a venda do imóvel durante dez anos, como o Banco de Portugal (BdP) esclarece através do Portal do Cliente Bancário, em resposta a uma pergunta de um utilizador. O banco central explicou que, “em caso de venda do imóvel, a garantia pública cessa com a emissão do distrate da hipoteca pela instituição”.

Assim, conclui-se que o mutuário não fica impedido de vender a casa, ficando a dívida para com a instituição de crédito saldada – assumindo que o imóvel fica pago – e a garantia terminada.

Apesar disto, os jovens que recorrem ao financiamento a 100% vão deparar-se com um documento onde se comprometem a manter a habitação própria e permanente durante, pelo menos, o período de vigência da garantia pública.

Segundo explicou ao Jornal PT50 Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da DECO, “importa, desde logo, distinguir a duração da garantia pública de uma eventual obrigação de permanência do proprietário no imóvel. Os dez anos correspondem ao período máximo de vigência da garantia pessoal prestada pelo Estado à instituição de crédito. O regime não estabelece, por si só, uma obrigação de o mutuário manter o imóvel durante esse período”.

O bastonário da Ordem dos Notários, Jorge Batista da Silva, em declarações ao Jornal PT50, confirmou igualmente esta informação, alertando que existe uma “consequência relevante”. A partir do momento em que a casa é vendida e tendo o mutuário já recorrido a este apoio, fica impedido de o usar numa aquisição futura. Questionado sobre se a ordem já se deparou com algum caso problemático que se enquadrasse nesta situação, o bastonário indica não ter conhecimento de nenhum.

Segundo Natália Nunes, “a garantia pública consiste numa garantia pessoal prestada pelo Estado à instituição de crédito e não numa obrigação imposta ao consumidor de manter a propriedade do imóvel durante esse período”, salientando que “esta distinção é fundamental. A garantia pública tem como objetivo permitir às instituições financiar uma percentagem mais elevada do valor da aquisição, podendo a garantia do Estado cobrir até 15% do valor da transação, nos termos previstos no regime”.

No caso de o banco inviabilizar a venda antes dos 10 anos de vigência da garantia, a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da DECO adianta que “o consumidor deverá solicitar uma explicação clara e fundamentada, nomeadamente quanto às razões da recusa e ao respetivo fundamento legal ou contratual”, acrescentando que “não se nos afigura adequado justificar a recusa apenas com a alegação de que “o imóvel tem de ser mantido durante 10 anos por existir garantia pública”.

“A lei prevê que, em caso de venda, a garantia pública cessa com a emissão do distrate da hipoteca ou com o consentimento expresso do banco para a transmissão do imóvel, nos termos previstos na lei”, acrescenta aquela responsável.

Para Natália Nunes a venda de um imóvel adquirido com garantia do Estado deve sempre ser “articulada com a instituição de crédito, uma vez que o imóvel se encontra hipotecado. Na sequência da venda, a garantia pública cessa nas condições previstas na lei”.

“Importa distinguir esta situação da transferência do crédito para outro banco. Neste caso, a garantia pessoal do Estado pode manter-se durante o período remanescente, desde que estejam reunidas as condições previstas no regime, nomeadamente que a instituição para a qual o crédito é transferido disponha de montante de garantia suficiente para acomodar a transferência”, concluiu aquela responsável.

Sobre um possível aproveitamento da medida para especulação imobiliária, Jorge Batista da Silva admite que “talvez seja precisamente aí que reside uma das fragilidades do regime”. “Por um lado, a lei não impôs um período mínimo de retenção da habitação, nem previu qualquer penalização para quem a venda pouco tempo depois de a adquirir. É assim possível que alguém que, sem esta garantia, jamais conseguiria financiamento a 100%, adquira um imóvel praticamente sem entrada própria e, beneficiando da valorização do mercado, o revenda passado um ou dois anos com lucro significativo”, aponta.

“Isto não quer dizer que toda a venda antecipada tenha motivação especulativa — há inúmeras razões legítimas para mudar de casa num curto espaço de tempo”, sublinha, acrescentando, no entanto, que “há uma diferença clara entre permitir a venda por estas razões da vida corrente e deixar que um mecanismo pensado para o acesso à primeira habitação acabe, ainda que indiretamente, por financiar operações imobiliárias de curto prazo”.

O bastonário da Ordem dos Notários considera que, “mais do que avançar desde já para novas proibições, parece mais útil começar por conhecer os números concretos”. Ou seja, acompanhar o mercado e estas operações, registando quais são vendidas no curto prazo e com que valorização, e também “o valor pedido por estes imóveis antes e depois da introdução da medida”. “Só com esses dados será possível perceber se estamos perante um risco meramente teórico ou perante um desvio real da finalidade para que este regime foi criado”, reitera.

O Jornal PT50 questionou o Ministério das Finanças sobre este tópico, mas não obteve resposta até à publicação da notícia.

Fonte: www.jornalpt50.pt

Portugal em mudança – o imobiliário como espelho social de uma nova geração

Há mudanças num país que se tornam visíveis muito antes de aparecerem plenamente refletidas nas estatísticas. Percebem-se na forma como as pessoas trabalham, constituem família, escolhem onde viver e reorganizam prioridades. O mercado imobiliário é particularmente sensível a estas transformações porque poucas decisões refletem de forma tão direta o momento de vida, a capacidade financeira e as expectativas de futuro de uma pessoa como a escolha de uma casa.

Portugal está hoje a atravessar uma dessas mudanças. O contexto económico tem naturalmente um peso determinante, mas aquilo a que assistimos vai além dos preços da habitação ou das condições de acesso ao crédito. Os agregados familiares são mais pequenos, a parentalidade acontece mais tarde, a mobilidade profissional aumentou, o trabalho tornou-se mais flexível e diferentes gerações passaram a relacionar-se com a habitação de formas menos lineares. O resultado é um mercado onde já não existe um único percurso habitacional nem uma definição universal do que significa estabilidade.

Durante décadas, esse percurso era relativamente previsível: sair de casa dos pais, comprar casa, constituir família e permanecer nesse imóvel durante uma parte significativa da vida. A propriedade continua a representar segurança e a ser uma aspiração muito relevante para os portugueses, num país onde cerca de 70% das famílias são proprietárias da sua residência principal. Entre as famílias cujo indivíduo de referência tem menos de 35 anos, porém, essa proporção desce para cerca de 40%, mostrando também como o acesso à propriedade se tornou menos imediato para as gerações mais jovens. O que mudou não foi necessariamente a aspiração, mas as condições, o momento e, em muitos casos, o caminho necessário para lá chegar.

Para quem entra hoje no mercado, comprar casa pode acontecer mais tarde, exigir maior flexibilidade na localização ou implicar escolhas diferentes ao nível da tipologia. O arrendamento pode prolongar-se durante mais anos, enquanto municípios anteriormente considerados periféricos entram no radar de famílias que procuram uma relação mais equilibrada entre preço, espaço disponível, mobilidade e qualidade de vida. Não significa necessariamente que a propriedade tenha perdido importância; significa que a relação com a habitação se tornou mais adaptável à realidade económica e aos diferentes momentos da vida.

Esta mudança também não pertence exclusivamente aos mais jovens. Famílias reorganizam necessidades à medida que os filhos crescem, profissionais com modelos de trabalho mais flexíveis reconsideram a importância da localização e uma população progressivamente mais envelhecida coloca novas exigências ao nível da acessibilidade, proximidade a serviços e adequação das próprias casas. O mercado imobiliário acaba, assim, por refletir uma sociedade mais diversa, na qual diferentes perfis procuram respostas habitacionais igualmente diferentes.

As cidades mostram de forma particularmente evidente esta transformação. Lisboa e Porto continuam a concentrar emprego, investimento, serviços e procura, mas a pressão sobre a habitação tem contribuído para alargar progressivamente a geografia das escolhas. Municípios das áreas metropolitanas e outros centros urbanos ganham relevância não apenas porque podem apresentar valores mais acessíveis, mas porque começam também a oferecer condições de mobilidade, serviços e qualidade de vida capazes de sustentar essa escolha.

Esta redistribuição coloca, contudo, novos desafios. Quando a procura se desloca, desloca também pressão sobre transportes, infraestruturas, equipamentos e oferta habitacional. O desenvolvimento de novos polos pode contribuir para um território mais equilibrado, mas só será sustentável se for acompanhado por planeamento capaz de antecipar as necessidades das populações que passam a viver nesses locais.

Também a crescente diversidade de quem vive em Portugal está a alterar as cidades e o próprio mercado. A chegada de novos residentes, nacionais e estrangeiros, acrescenta procura, diversidade e atividade económica, mas aumenta igualmente a necessidade de encontrar um equilíbrio entre atratividade e acessibilidade. A questão não está em escolher entre crescimento e coesão, mas em criar condições para que ambos possam coexistir.

É neste contexto que o setor terá de evoluir. Uma sociedade com agregados mais pequenos, percursos profissionais menos lineares, maior longevidade e necessidades habitacionais mais diversas dificilmente poderá continuar a ser servida por uma oferta pensada segundo modelos do passado. Tipologias, localização, acessibilidade, mobilidade e proximidade a serviços terão cada vez mais peso, tal como a capacidade das políticas públicas e do investimento privado para responder a diferentes fases e formas de habitar.

O mercado imobiliário é, por isso, muito mais do que um conjunto de preços e transações. É também uma forma de observar como as sociedades estão a mudar. Portugal não está isolado nesta transformação: alterações demográficas, novas formas de trabalhar, maior mobilidade e diferentes modelos familiares estão a redefinir as necessidades habitacionais em vários mercados. No nosso país, as casas que procuramos, os lugares onde aceitamos viver e as escolhas que fazemos perante as limitações e oportunidades existentes dizem muito sobre a sociedade que somos hoje.

O verdadeiro desafio para o futuro não será antecipar apenas quanto vão valer as casas, mas compreender quem vai precisar delas, onde vai querer viver e de que forma as novas gerações irão construir a sua relação com a habitação. Porque o mercado pode ajudar-nos a perceber para onde vão os preços, mas diz-nos também, cada vez mais, para onde está a mudar o país.

Fonte: Imovirtual

Uma em cada 10 casas à venda sai do mercado em menos de 7 dias

Aveiro, Coimbra e Porto destacam-se como as cidades onde anúncios desaparecem mais rápido, revelam dados do idealista.

As casas à venda em Portugal não são todas iguais. Há imóveis que cumprem os principais critérios procurados pelas famílias, como boa localização, preço mais acessível e espaços exteriores. Esta diferenciação da oferta pode ajudar a explicar o facto de haver habitações que são vendidas mais rápido que outras. No segundo trimestre de 2026, cerca de 10% das casas anunciadas para venda em Portugal saíram do mercado em menos de sete dias, revela uma análise do idealista, marketplace imobiliário líder no sul da Europa.

Analisando o tempo de permanência dos anúncios no portal imobiliário a nível nacional, verifica-se que 18% das casas para comprar saíram do mercado entre uma semana e um mês, 31% entre um e três meses, 35% entre três meses e um não. Já 6% destes imóveis anunciados permaneceram à venda por mais de um ano.

Casas à venda saem mais rápido do mercado em Aveiro, Coimbra e Porto
Entre as capitais de distrito ou de regiões autónomas analisadas, Aveiro, Coimbra e Porto destacam-se por terem sido as cidades onde houve mais casas à venda a sair rápido do mercado, em menos de sete dias (11% da oferta anunciada). Seguem-se Braga (10%), Funchal (9%) e depois Beja, Faro, Leiria e Viana do Castelo (8% cada).

Também Ponta Delgada e Santarém (7% cada), Setúbal e Viseu (6% cada) e Lisboa (5%) registaram percentagens relevantes de casas à venda que saíram do mercado em menos de uma semana. Já Castelo Branco está no fim da lista (3%).

Analisando horizontes temporais mais longos, verifica-se que uma parte significativa das habitações à venda sai do mercado entre um e três meses depois de terem sido anunciadas, com destaque para Castelo Branco (38%), Viseu (36%), Setúbal (36%) e Leiria (33%).

No período entre três meses e um ano, Ponta Delgada lidera (53%), seguida de Santarém (47%), Castelo Branco (44%), Viana do Castelo (42%), Lisboa (40%) e Beja (39%), revelando mercados onde o ritmo de absorção da oferta residencial é mais lento.

Em que distritos e ilhas há mais casas a sair do mercado em menos de uma semana?
Ao analisar o mercado por distritos e ilhas, a ilha da Madeira e o Porto destacam-se como os territórios onde se regista maior proporção de casas à venda a sair do mercado em menos de uma semana (15% da oferta anunciada no idealista em cada território). Seguem-se Aveiro (12%), Coimbra (11%), e Braga, Santarém e Viseu (10% cada).

Também Portalegre e Viana do Castelo (9% cada), Beja (8%), Bragança, Leiria, Lisboa e Setúbal (7% cada), Castelo Branco, Évora, ilha de São Miguel e Vila Real (6% cada) e Faro (5%) registaram percentagens relevantes de casas que saíram do mercado em menos de sete dias. Guarda foi o território com menor percentagem (3%).

Analisando prazos mais longos, destaca-se o peso das saídas das casas à venda do mercado entre um e três meses, com especial incidência em Bragança (38%), Setúbal (36%) e Aveiro e Santarém (35% cada).

Já as casas para comprar que deixaram de estar anunciadas entre três meses e um ano são mais frequentes na ilha de São Miguel (51%), Vila Real (48%), Guarda (44%), Évora (41%) e Castelo Branco (40%), refletindo mercados onde as habitações demoram mais tempo a encontrar um comprador.

Fonte: Idealista

Governo mantém garantia pública e afasta impacto no preço das casas

Executivo insiste que “a causa determinante do aumento dos preços da habitação” é a falta de oferta e não a garantia pública para jovens.

O Governo recusa recuar na garantia pública que permite aos jovens até 35 anos financiar 100% da compra da primeira casa, mesmo perante os alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco de Portugal (BdP) de que a medida está a alimentar a subida dos preços. Para o Executivo, o problema central do mercado da habitação continua a ser a falta de oferta e não o acesso ao crédito das novas gerações, pelo que não faz sentido “fechar a porta” à compra de casa aos mais jovens.

Segundo o ECO, o Ministério das Infraestruturas e Habitação respondeu a questões do grupo parlamentar do Chega reiterando que “não acompanha a premissa” de que a resposta à pressão nos preços deva passar por medidas que dificultem ou impeçam o acesso dos jovens à aquisição da sua primeira habitação própria e permanente.

O ministério, liderado por Miguel Pinto Luz, sublinha que a garantia do Estado “não substitui nem dispensa a avaliação de risco” feita pelos bancos e insiste que a “escassez de oferta é a causa determinante do aumento dos preços da habitação”. Por isso, considera “pouco rigoroso” concluir que esta garantia seja a responsável pelo disparo das avaliações e das transações.

Contudo, os próprios números do BdP mostram que o instrumento já tem um peso relevante no mercado. Em 2025, ano em que os preços das casas subiram 17,6% (a maior variação de sempre), os créditos com garantia pública representaram 42,7% de todo o financiamento à habitação contraído por jovens até 35 anos e 23,5% do crédito à habitação concedido no país.

Até março deste ano, já tinham sido celebrados 32,3 mil contratos com garantia do Estado, num montante total de 6,5 mil milhões de euros. Este crescimento leva o FMI a defender, num relatório recente, que estas medidas “devem ser revertidas”, por entender que, embora melhorem a acessibilidade no imediato, “aumentam a procura e ampliam ainda mais os desequilíbrios do mercado”.

O BdP partilha a preocupação, assinalando que os créditos com garantia do Estado apresentam, em média, níveis mais elevados de endividamento, maturidades mais longas e taxas de esforço superiores, o que os torna “tendencialmente mais vulneráveis a choques adversos”. A instituição liderada por Álvaro Santos Pereira já anunciou, aliás, uma revisão das medidas macroprudenciais, que entrará em vigor em agosto, precisamente para apertar o acesso ao crédito.

Ainda assim, o Governo insiste que a garantia pública foi “desenhada com segurança” e deve ser vista como um apoio à emancipação residencial dos jovens, “com natureza complementar” às políticas centradas no lado da oferta e não como substituto das mesmas. Nesse quadro, recusa “atuar sobre um diagnóstico incorreto do problema” e mantém a aposta num instrumento que, para Bruxelas e as instituições internacionais, continua a ser uma peça polémica no puzzle da habitação em Portugal.

Fonte: Idealista

Limitar acesso dos mais novos acabando com a garantia é “diagnóstico incorreto”

Executivo aponta a “persistente insuficiência da oferta habitacional” como o fator principal para a escala dos preços das casas. Diz que a garantia é uma medida “complementar” face às políticas estruturais orientadas para o aumento da oferta.

A garantia pública que tem ajudado os jovens a obterem financiamento para comprarem casa não é, na perspetiva do Governo, um fator “determinante do aumento dos preços das casas”. O Ministério das Infraestruturas e Habitação defende que não são os mais novos os causadores da escalada – há várias outras explicações para essa evolução – pelo que travar o acesso destes à habitação seria fazer um “diagnóstico incorreto do problema”.

Sustentando que “não se afigura rigoroso concluir que a garantia pública constitua a causa determinante do aumento dos preços da habitação”, o gabinete do ministério tutelado por Miguel Pinto Luz diz, em resposta ao Chega, que “o problema estrutural do mercado habitacional em Portugal não reside na legítima aspiração dos jovens a autonomizarem-se, constituírem família e fixarem-se no território nacional”.

“A evolução do mercado habitacional deve ser analisada à luz de um conjunto alargado de fatores, entre os quais se destacam a recente descida das taxas de juro, a existência de procura acumulada ao longo dos últimos anos, a trajetória de valorização dos ativos imobiliários e, de forma particularmente relevante, a persistente insuficiência da oferta habitacional”, sublinha.

A questão central [para travar a escalada dos preços das casas] permanece o reforço da oferta de habitação.

Sem dar uma métrica para o défice de imóveis – o Banco de Portugal aponta para um desencontro entre a oferta e a procura que ascende a 300 mil habitações -, o Executivo diz que “importa sublinhar que a questão central permanece o reforço da oferta de habitação”, algo que espera possa acontecer com as medidas anunciadas recentemente, tanto para a reforma do mercado de arrendamento como para incentivar a nova construção a preços moderados.

Rendas antigas de inquilinos com menos de 65 anos podem perder proteção
“Entender que a contenção da procura, designadamente através da limitação do acesso dos jovens à aquisição de habitação própria, constitui a solução para mitigar pressões sobre os preços equivaleria a atuar sobre um diagnóstico incorreto do problema”, atira o Ministério das Infraestruturas e Habitação. “A resposta adequada não reside na redução das legítimas aspirações dos jovens portugueses, mas antes na criação de condições efetivas para que possam viver, trabalhar, constituir família e fixar-se em Portugal”, conclui.

Políticas estruturais de habitação
Defendendo a garantia pública, o Executivo salienta que esta medida que estará em vigor até 31 de dezembro deste ano “deve ser entendida como uma medida de apoio à emancipação residencial dos jovens, assumindo natureza complementar face às políticas estruturais orientadas para o aumento da oferta habitacional, não as substituindo”.

“Essa estratégia combina apoios ao acesso no curto prazo com medidas estruturais destinadas a aumentar a oferta, reforçar o parque habitacional público e acessível, mobilizar investimento público e privado e criar condições para uma maior estabilidade do mercado”, acrescenta a resposta enviada ao partido liderado por André Ventura.

Fonte: Jornal de Negócios

Avaliação das casas fixa novo recorde acima dos 2.200 euros/m2

Para apurar o valor mediano de avaliação bancária na habitação, foram consideradas 35.552 avaliações (22.139 apartamentos e 13.413 moradias).

As avaliações bancárias das casas em Portugal continuam a renovar máximos históricos, numa trajetória de subida consistente ao longo dos últimos anos. Segundo dados divulgados esta sexta-feira, 26 de junho de 2026, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o valor mediano da avaliação bancária fixou-se, em maio, nos 2.208 euros por metro quadrado (m2), mais 34 euros do que em abril e 17,1% acima do registado em período homólogo.

Este é um elemento decisivo para quem recorre ao crédito habitação, já que é deste valor que depende, em grande medida, o montante que os bancos estão dispostos a financiar. “O valor mediano de avaliação bancária na habitação foi 2.208 euros por m2 em maio, mais 34 euros que o observado no mês precedente. Em termos homólogos, a taxa de variação fixou-se em 17,1% (16,5% no mês anterior)”, indica o INE.

Para apurar o valor mediano de avaliação bancária na habitação, foram consideradas 35.552 avaliações (22.139 apartamentos e 13.413 moradias), mais 0,8% que no período homólogo. Em comparação com o período anterior, realizaram-se mais 1.069 avaliações bancárias, o que corresponde a um acréscimo de 3,1%, segundo o documento.

Apartamentos valorizam 20% num ano

No caso dos apartamentos, o valor mediano de avaliação bancária subiu para 2.580 euros por m2, mais 19,7% do que em maio de 2025. A Grande Lisboa mantém-se como a região mais cara, com 3.378 euros/m2 seguida do Algarve, com 2.945 euros/m2. No extremo oposto continuam o Alentejo (1.584 euros/m2) e o Centro (1.686 euros/m2). Já o Oeste e Vale do Tejo registou o maior aumento homólogo, com uma subida de 26,3%.

A maioria dos apartamentos avaliados pela banca para conceder crédito habitação são T1, T2 e T3, representando 92,2% das avaliações neste período em análise. Todas as tipologias saíram valorizadas no último mês:

Apartamentos T1: valor mediano subiu 40 euros, para 3.279 euros/m2;
Apartamentos T2: valor cresceu 26 euros, para 2.641 euros/m2;
Apartamentos T3: valor aumentou 30 euros, para 2.229 euros/m2.

Banca avalia moradias em mais 13,4%

Nas moradias, a avaliação mediana fixou-se nos 1.581 euros por m2, o que representa um aumento de 13,4% face ao mesmo mês do ano passado. A Grande Lisboa (2.874 euros/m2) e o Algarve (2.786 euros/m2) continuam a apresentar os valores mais elevados, enquanto os Açores e o Oeste e Vale do Tejo lideraram a valorização anual, ambos com um crescimento de 18,6%.

O retrato regional mantém-se praticamente inalterado. A Grande Lisboa, o Algarve e a Península de Setúbal continuam a registar avaliações muito acima da mediana nacional – 50,4%, 31,6% e 23,3%, respetivamente. Em contraste, as regiões do interior, da Beira Baixa a Trás-os-Montes, permanecem mais de 50% abaixo desse valor de referência.

As moradias T2, T3 e T4 representaram 88,3% das avaliações realizadas no período em análise, com todas as tipologias a valorizar em termos mensais:

Moradias T2: valor mediano subiu 34 euros, para 1.576 euros/m2;
Moradias T3: valor subiu 4 euros, para 1.531 euros/m2;
Moradias T4: mediana cresceu 18 euros, para 1.672 euros/m2.

Fonte: Idealista

Comprar casa exige cada vez mais rendimento

A taxa de esforço necessária para comprar uma habitação de valor mediano no Norte atingiu 73,5% em 2025, segundo o relatório Norte Estrutura, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N). O valor representa um aumento significativo face aos 52,5% registados em 2011 e evidencia o agravamento das dificuldades de acesso à habitação.
Nos concelhos do Porto, Póvoa de Varzim e Espinho, a taxa de esforço aproxima-se ou ultrapassa praticamente o rendimento disponível de um trabalhador com salário médio, tornando a compra de casa cada vez mais difícil.

O relatório conclui que a pressão sobre os preços da habitação resulta sobretudo do desalinhamento entre a oferta disponível e a procura, e não de uma falta generalizada de alojamentos. Em 2025, o Norte contabilizava cerca de 1,94 milhões de habitações, o equivalente a 1,35 alojamentos por agregado familiar.

permanente. Considerando apenas os imóveis mobilizáveis para venda ou arrendamento, a margem de oferta é reduzida, sobretudo na Área Metropolitana do Porto e no Cávado, onde existem apenas entre 2% e 4% mais habitações disponíveis do que agregados familiares.

O Norte consolidou-se como a principal região de construção habitacional em Portugal, representando 47,1% dos fogos concluídos entre 2015 e 2025. Apesar disso, o ritmo da nova construção continua abaixo dos níveis registados na primeira década do século.

Já a reabilitação mantém um peso reduzido na resposta às necessidades do mercado. Entre 2014 e 2025, as obras de requalificação cresceram apenas 12,7%, muito abaixo da evolução da construção nova.

Segundo o relatório, a procura habitacional tem sido impulsionada sobretudo pela mobilidade residencial, com o número de transações a superar largamente a criação de novos agregados familiares. Esta realidade contribui para o aumento dos preços e da taxa de esforço nos territórios urbanos mais dinâmicos.

Perante este cenário, a CCDR-N defende políticas públicas adaptadas às diferentes realidades territoriais, considerando que aumentar a oferta de habitação, por si só, não será suficiente para reduzir as dificuldades de acesso à casa.

Fonte: Supercasa

Portugal teve a maior subida do preço das casas na UE no primeiro trimestre

Portugal foi um dos 19 Estados-membros da União Europeia onde os preços das casas subiram mais do que as rendas, segundo os dados do Eurostat divulgados esta quinta-feira.
Portugal teve o maior aumento do preço das casas na União Europeia (UE) no primeiro trimestre. A subida do valor dos imóveis em Portugal foi de 10,3% em comparação com o ano passado, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat.

Quando se compara o primeiro trimestre deste ano com a média anual de 2025, Portugal foi um dos 19 Estados-membros da UE onde os preços das casas subiram mais do que as rendas. A segunda maior subida foi registada na Bulgária (+9,4%) e depois na Eslováquia (+9,1%). Por outro lado, França (-0,5%) e a Finlândia (-1,8%) foram os únicos países onde os preços das casas desceram.

“Durante o mesmo período, as rendas aumentaram em todos os países da UE, exceto na Eslovénia, onde caíram 0,9%, e na Finlândia, onde se mantiveram inalteradas. Entre os restantes países da UE, o maior aumento registou-se na Croácia (+21,9%), seguida da Bulgária (+6,4%) e da Grécia (+5%)”, lê-se no relatório do organismo de estatística europeu.

No cômputo geral, entre janeiro e março de 2026, os preços das casas na UE subiram 5,1%, enquanto as rendas aumentaram 3% em termos homólogos. Face ao último trimestre de 2025, os preços das casas aumentaram 1,2% e as rendas 0,7%.

Portugal tem vindo a registar aumentos consecutivos quer nas rendas quer nos valores dos imóveis para compra/venda. Nos primeiros três meses do ano, a renda mediana dos mais de 39 mil contratos assinados atingiu os 9,46 euros por metro quadrado. Isto significa que a mediana ficou 9,1% acima do valor dos novos contratos do primeiro trimestre de 2025, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística.

Fonte: Eco

Rendas aceleram e sobem 9,1% no arranque do ano

Foram celebrados 39.395 novos contratos de arrendamento no primeiro trimestre de 2026, revela o INE, que esteve mais de um ano sem divulgar dados.

O mercado de arrendamento em Portugal mantém-se sob forte pressão, num arranque de ano marcado por nova subida dos preços. No primeiro trimestre de 2026, a renda mediana dos novos contratos fixou-se nos 9,46 euros por metro quadrado, um aumento de 9,1% face ao mesmo período de 2025. Trata-se de uma aceleração em relação ao trimestre anterior, quando a subida tinha sido de 7,9%, segundo dados divulgados esta sexta-feira, 26 de junho de 2026, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O número de novos contratos também aumentou, embora de forma ligeira: mais 0,7% do que no primeiro trimestre de 2025, para 39.395, sugerindo estabilidade na procura apesar do contexto de preços elevados.

Recorde-se que o instituto estatístico não revelava informação sobre este indicador há mais de um ano, em virtude da integração de novos fluxos de informação do Fisco, depois de alterações legislativas permitirem que inquilinos comuniquem contratos quando os senhorios não o fazem atempadamente. Estes resultados fazem parte, por isso, de uma série estatística nova, mais abrangente do que a anterior.

Recorde-se que o INE passou a ter acesso, por parte da Autoridade Tributária, a um conjunto alargado de informação sobre os contratos de arrendamento, que cobre agora todas as alterações efetuadas no mês de referência, independentemente de existir recibo de renda electrónica emitido nesse período, e inclui variáveis inéditas, como a identificação de senhorios. Na prática, o universo de contratos analisados cresceu cerca de 50% face à série anterior, o que torna os dados estruturalmente mais completos e fiáveis, sem alterar as tendências gerais observadas, segundo indica o gabinete estatístico.

De acordo com o mais recente relatório estatístico, a subida das rendas foi generalizada, com aumentos homólogos em todas as 26 sub-regiões do país, ainda que o mercado se continue a mostrar fortemente assimétrico. A Grande Lisboa continua a liderar de forma destacada, com uma renda mediana de 14,38 euros/m2, seguida da Região Autónoma da Madeira (11,97 euros/m2), da Península de Setúbal (11,35 euros/m2), do Algarve (10,71 euros/m2) e da Área Metropolitana do Porto (10,13 euros/m2). Estas cinco sub-regiões são as únicas onde os valores superam a mediana nacional.

Lisboa, por sua vez, continua a registar os valores mais elevados do país, com uma renda mediana de 17,42 euros/m2 entre os concelhos com mais de 100 mil habitantes. Ainda assim, a variação homóloga na capital (8,2%) ficou abaixo da média nacional, sugerindo uma ligeira desaceleração do ritmo de crescimento num mercado já muito pressionado, enquanto outras regiões continuam a ajustar preços a maior velocidade.

Preço do arrendamento dispara em Vila Nova de Famalicão

Entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes analisados, Vila Nova de Famalicão registou a maior subida homóloga, com um aumento de 15,1%, para 6,80 euros/m2. O município destacou-se também no número de novos contratos, com uma variação de 13,4%, a mais expressiva deste grupo.

“No 1.º trimestre de 2026, metade dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes apresentaram taxas de variação homóloga do número de novos contratos superiores à nacional (0,7%), destacando-se Vila Nova de Famalicão (13,4%) e Oeiras (10,5%), com as maiores variações. Por outro lado, o número de novos contratos diminuiu em 12 dos municípios em análise, com destaque para o Seixal (-9,0%) e Matosinhos (-8,5%)”, indica o INE.

Todos os municípios com mais de 100 mil habitantes da Grande Lisboa e da Península de Setúbal registaram rendas medianas superiores à nacional (9,46 euros/m2), embora apenas Almada (13,64 euros/m2 e 14,9%) e Vila Franca de Xira (10,93 euros/m2 e 10,5%) tenham apresentado aumentos homólogos do valor das rendas superiores ao do país (9,1%).

Na Área Metropolitana do Porto, todos os municípios registaram rendas medianas superiores à referência nacional, com exceção de Gondomar (8,71 euros/m2 e 8,7%) e de Santa Maria da Feira (6,58 eruos/m2 e 6,0%), e variações homólogas inferiores.

O INE revela ainda que, tomando como referência os 149.690 contratos de arrendamento celebrados nos últimos 12 meses terminados em março de 2026, a renda mediana em Portugal foi 9,50 euros/m2, tendo aumentado 2,3% relativamente ao ano acabado em dezembro de 2025 e 8,8% relativamente ao ano terminado em março de 2025. O preço mediano da habitação foi superior ao valor nacional nas sub-regiões da Grande Lisboa (14,43 euros/m2), Região Autónoma da Madeira (11,82 euros/m2), Península de Setúbal (11,34 euros/m2), Algarve (10,71 euros/m2) e Área Metropolitana do Porto (10,36 euros/m2).

Fonte: Idealista