SEGURO HABITAÇÃO – Novo fundo de catástrofes garante apoio financeiro às famílias mais vulneráveis

O seguro de habitação vai passar a ser obrigatório em Portugal. A medida faz parte da criação de um fundo de catástrofes naturais e sísmicas e abrange também as empresas, protegendo instalações físicas e estruturas produtivas.

O novo modelo garante acesso universal ao seguro, com apoio financeiro para as famílias mais vulneráveis pagarem o prémio. A ideia é partilhar o risco e tornar o sistema sustentável.

Fundo de catástrofes: Como funciona

O fundo de catástrofes será financiado para responder a riscos como sismos e fenómenos naturais extremos. O objetivo é reduzir a dependência do Estado e garantir uma resposta mais rápida em caso de catástrofe. O setor segurador terá um papel ativo na gestão deste fundo.

O que muda para si

Se tem uma casa: vai ter de contratar seguro obrigatório, mas as famílias com menos recursos terão ajuda financeira

Se tem uma empresa: as instalações e estruturas produtivas também passam a ser obrigadas a ter seguro

Em caso de catástrofe: o fundo garante uma resposta mais rápida e eficaz para todos

Com esta mudança, Portugal passa a ter um sistema integrado de proteção contra catástrofes. E o objetivo é simples: proteger as famílias e as empresas, garantindo que ninguém fica desprotegido perante a força da natureza.

BUPI – Registo de Imóveis Obrigatório para Entidades Públicas até 2027

registo de imóveis no BUPi continua a progredir em Portugal, com cerca de 42% da área nacional já identificada. O sistema, criado para simplificar o cadastro predial, soma milhões de matrizes registadas, abrangendo grande parte dos municípios sem cadastro completo. Atualmente, o registo de imóveis no BUPi cobre 39% das matrizes no continente e 9% na Madeira, refletindo diferenças regionais na implementação.

nova legislação estabelece que o registo de imóveis no BUPi passa a ser obrigatório para entidades públicas. Estado, regiões autónomas, autarquias e institutos públicos devem concluir o registo dos imóveis do domínio privado até ao final de 2027. Esta medida pretende reforçar o conhecimento do território e melhorar a gestão pública. Ao mesmo tempo, o registo de imóveis no BUPi contribui para aumentar a transparência e a segurança nas transações imobiliárias, ao garantir informação mais precisa sobre localização e limites dos prédios.

O processo de registo de imóveis no BUPi mantém-se gratuito até ao final de setembro para propriedades de menor dimensão, passando depois a ter custos associados. Além disso, a identificação georreferenciada passa a ser exigida em candidaturas a apoios financeiros ligados a terrenos rústicos ou mistos.

Em termos territoriais, alguns municípios destacam-se pelo nível de execução do registo de imóveis no BUPi, com percentagens elevadas de propriedades identificadas. Este progresso permite uma melhor planificação do território, apoio à prevenção de riscos e desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes. Com a evolução do sistema, o registo de imóveis no BUPi assume um papel central na modernização administrativa e no conhecimento detalhado do território nacional.

HERANÇAS INDIVISAS – Venda de casas divide Tribunais e Fisco

A venda de casas em heranças indivisas continua a gerar uma forte divergência entre tribunais e a Autoridade Tributária. Enquanto o Supremo Tribunal Administrativo tem afastado, em regra, a tributação de mais-valias, o Tribunal Central Administrativo Sul decidiu recentemente que a venda de imóveis concretos antes da partilha está sujeita a IRS. Esta decisão reabre a incerteza para os contribuintes, sobretudo num momento em que o Governo pretende agilizar a venda de imóveis herdados ainda não partilhados.

O caso analisado remonta à venda, em 2017, de duas frações autónomas em Lisboa por herdeiros de uma herança indivisa. A Autoridade Tributária considerou que existiam mais-valias tributáveis, mas o tribunal de primeira instância entendeu tratar-se de uma cessão de quinhão hereditário, afastando o imposto. Contudo, o Tribunal Central Administrativo Sul veio alterar essa interpretação. Os juízes concluíram que os herdeiros venderam bens imóveis concretos e não apenas a sua quota na herança, considerando que houve uma transmissão onerosa de propriedade sujeita a tributação em IRS, repondo uma liquidação superior a 71 mil euros.

O ponto central deste debate está na distinção entre vender o quinhão hereditário ou vender imóveis específicos. Enquanto a herança se mantém indivisa, os herdeiros detêm apenas uma quota ideal e não direitos sobre bens concretos. Segundo o Supremo Tribunal Administrativo, a venda dessa quota não configura uma transmissão de propriedade imobiliária e, por isso, não gera mais-valias. No entanto, quando são vendidos imóveis concretos com identificação e preço definido, o entendimento pode ser diferente. Esta distinção torna-se decisiva para determinar se há ou não lugar ao pagamento de IRS.

A coexistência de decisões diferentes entre tribunais e a posição da Autoridade Tributária cria um cenário de incerteza para os contribuintes. O Fisco continua a defender que a venda de imóveis concretos em heranças indivisas deve ser tributada, posição agora reforçada pelo Tribunal Central Administrativo Sul. Já o Supremo Tribunal Administrativo tem seguido uma linha mais favorável aos contribuintes, considerando que, sem partilha, não existe verdadeira transmissão de propriedade.

Na prática, a forma como a venda é estruturada pode ser determinante: vender o quinhão hereditário ou um imóvel específico pode significar pagar ou não imposto. Este conflito jurídico indica que o tema está longe de resolvido e que novos litígios poderão continuar a surgir. A venda de casas em heranças indivisas volta assim a levantar dúvidas fiscais, com decisões opostas sobre pagamento de IRS em Portugal.

HERANÇAS – Governo permite venda de heranças indivisas por apenas um herdeiro

O Governo pretende avançar com novas regras para resolver o problema das heranças indivisas em Portugal. A proposta, que deverá ser aprovada em Conselho de Ministros, visa facilitar a resolução de conflitos entre herdeiros e colocar mais imóveis no mercado.

A iniciativa surge como resposta à crise da habitação e à necessidade de aumentar a oferta de casas disponíveis para venda ou arrendamento. Além disso, o executivo pretende também melhorar a gestão de terrenos rurais, contribuindo para a prevenção de incêndios florestais.

Atualmente, milhares de imóveis permanecem anos sem utilização devido à falta de acordo entre herdeiros. Com as novas regras para heranças indivisas, bastará um único herdeiro para iniciar o processo que permita terminar a indivisão. Até agora, bastava a oposição de um herdeiro para bloquear a partilha da herança.

A proposta prevê que, após dois anos da aceitação da herança, e caso não exista acordo sobre a divisão dos bens, um herdeiro possa requerer a venda do imóvel através de um processo judicial específico. Esta medida aplica-se tanto a imóveis urbanos como rurais. O herdeiro que iniciar o processo terá de apresentar uma avaliação do imóvel, podendo os restantes herdeiros apresentar avaliações adicionais, sendo depois definido um preço-base para a venda.

Depois de reunidas as avaliações, caberá ao tribunal definir a modalidade de venda do imóvel, podendo recorrer ao leilão eletrónico ou a outros modelos de alienação. Os restantes herdeiros terão igualmente a possibilidade de adquirir o imóvel, igualando o valor estabelecido no processo de venda. Caso algum herdeiro se oponha ao procedimento, poderá apresentar oposição no prazo de 30 dias após a notificação judicial, cabendo ao tribunal a decisão final.

O Governo considera que as heranças indivisas são responsáveis por uma parte significativa dos imóveis devolutos existentes no país. Estima-se que existam cerca de 300 mil casas vazias em Portugal, muitas delas presas em processos de herança sem resolução. Nos prédios rústicos, o fenómeno é ainda mais expressivo, com estimativas a apontar para cerca de 3,4 milhões de propriedades associadas a heranças indivisas, num universo de aproximadamente 11,5 milhões de prédios rurais.

Ao permitir que um herdeiro inicie o processo de venda, o executivo espera desbloquear património imobiliário que permanece parado há décadas. A medida poderá aumentar a oferta de habitação, dinamizar o mercado e contribuir também para uma melhor gestão do território.

REMODELAÇÕES EM ALTA – Portugueses investem em conforto e valorização do imóvel

Os portugueses estão cada vez mais a apostar em remodelações nas suas casas. O conforto, a funcionalidade e a valorização do imóvel são os principais motores deste investimento, que tem vindo a crescer de forma consistente.

O cliente nacional e proprietário de habitação própria é o que mais investe em obras de remodelação, representando 83,3% dos casos. Seguem-se os investidores para arrendamento e as empresas/comércio, cada um com 27,8%, enquanto as famílias jovens representam 22,2% e os clientes com mais de 50 anos apenas 11,1%. Este perfil revela que os portugueses valorizam cada vez mais intervenções estratégicas na sua habitação, priorizando obras que proporcionam conforto, funcionalidade e valorização a médio e longo prazo.

No que diz respeito aos valores investidos, a faixa mais comum situa-se entre os 30 000 e os 50 000 euros, representando 33,3% dos casos. Seguem-se as faixas entre 5 000 e 15 000 euros e entre 15 000 e 30 000 euros, cada uma com 22,2%. Investimentos acima de 50 000 euros correspondem a 16,7%, enquanto os pequenos investimentos, até 5 000 euros, representam apenas 5,6%.

As remodelações gerais lideram as intervenções mais procuradas, seguidas pela renovação de cozinhas. Cresce também a criação de espaços em open space e as melhorias em pátios e jardins, refletindo a procura por maior conforto e qualidade de vida.

O principal motivo para investir em remodelações é o conforto, apontado por 27,8% dos clientes, seguido do investimento (22,2%), da valorização do imóvel e da adaptação às necessidades familiares (16,7% cada) e da manutenção (11,1%).

Durante o último ano, 55,6% dos clientes revelaram maior sensibilidade ao preço, enquanto 33,3% preferiram soluções chave-na-mão, onde o cliente define o projeto e a empresa trata de todo o processo. A sustentabilidade também ganhou espaço, com 11,1% a optar por materiais mais eficientes e processos de obra ambientalmente responsáveis.

O mercado de remodelações mostra assim consumidores mais informados e criteriosos, que valorizam conforto, segurança e acompanhamento profissional em todas as fases da obra, com decisões cada vez mais ponderadas e estratégicas.

IMT JOVEM – Heranças e doações podem impedir isenção

O regime do IMT Jovem tem gerado dúvidas após um esclarecimento da Autoridade Tributária (AT). A interpretação oficial veio confirmar que a posse de imóveis adquiridos por herança ou doação, mesmo que parcial, pode impedir o acesso à isenção.

Isto significa que muitos jovens que nunca compraram casa, mas herdaram ou receberam um imóvel de familiares, podem ficar excluídos do benefício fiscal.

Heranças e doações contam para exclusão

De acordo com a AT, o regime do IMT Jovem não distingue a forma de aquisição. Tanto compras como heranças e doações são consideradas para efeitos de exclusão.

O critério é simples: se o jovem já é titular de direitos sobre imóveis habitacionais, perde o acesso à isenção. A forma como adquiriu esse direito não interessa.

Titularidade parcial também impede

Outro ponto importante: não é necessário deter a totalidade de um imóvel para perder o benefício. A posse de uma quota-parte ou da nua propriedade é suficiente para afastar o IMT Jovem.

Além disso, a análise considera os três anos anteriores à compra. Se o jovem deteve direitos sobre imóveis nesse período, mesmo que já não seja proprietário, o acesso à isenção fica comprometido.

Quem fica excluído?

–  Quem herdou uma casa de um familiar

– Quem recebeu um imóvel por doação de pais ou avós

– Quem tem uma quota-parte numa herança ainda não partilhada

– Quem deteve um imóvel nos últimos três anos

Em todos estes casos, o IMT Jovem não se aplica, mesmo que o jovem nunca tenha comprado uma casa.

Antes de avançar, consulte um profissional para confirmar a sua elegibilidade. Na H Imobiliária, recomendamos que os nossos clientes procurem aconselhamento especializado para evitar surpresas desagradáveis.

USUFRUTO VITALÍCIO – Vender casa mantendo o direito a viver nela está a crescer em Portugal

Em Portugal, a possibilidade de vender a casa mantendo usufruto vitalício está a afirmar-se como uma solução cada vez mais procurada pela população sénior. Este modelo permite ao proprietário vender o imóvel, libertando capital, mas mantendo o direito de nele viver até ao fim da vida.

Num país marcado pelo envelhecimento demográfico, com cerca de 2,5 milhões de idosos, esta alternativa surge como resposta a um dilema frequente: como obter liquidez financeira sem abdicar da casa onde se construiu uma vida inteira.

Liquidez financeira sem perda de estabilidade

Para muitos reformados, a casa representa o principal ativo patrimonial, mas também um bem carregado de significado emocional. Vender significava, até há pouco tempo, sair do lar. Hoje, o usufruto vitalício permite equilibrar estas duas dimensões: transformar património imobiliário em capital disponível, mantendo estabilidade residencial.

Este modelo garante segurança financeira num contexto de aumento do custo de vida e maior longevidade, permitindo reforçar rendimentos, apoiar familiares ou simplesmente viver com maior tranquilidade.

Uma tendência em crescimento

A procura por esta solução tem aumentado de forma consistente. A maior parte dos contactos concentra-se na Grande Lisboa (cerca de 45%), seguida do Porto (22%), estando o restante distribuído pelo restante território nacional.

Estes números refletem uma necessidade crescente de alternativas flexíveis e ajustadas à realidade sénior, sobretudo em zonas urbanas onde o valor dos imóveis permite libertar montantes significativos de capital.

Mais do que uma venda: um modelo integrado

O usufruto vitalício está também a integrar uma abordagem mais ampla à habitação sénior. Para além da componente financeira, surgem soluções complementares como assistência domiciliária, cuidados de saúde, seguros ou serviços de apoio à manutenção da casa.

O objetivo é criar um verdadeiro ecossistema de suporte, que permita aos idosos permanecer no seu ambiente habitual com conforto, autonomia e dignidade. A permanência no lar, sempre que possível, tem impacto direto na qualidade de vida e no bem-estar emocional.

Uma alternativa estratégica para gerir património

Mais do que uma solução pontual, este modelo representa uma mudança estrutural na forma como o património imobiliário pode ser gerido na terceira idade. Permite transformar um ativo pouco líquido em recursos financeiros disponíveis, sem comprometer a habitação.

Para muitas famílias, trata-se de uma decisão estratégica que equilibra estabilidade, planeamento financeiro e qualidade de vida. Num contexto em que a longevidade aumenta e as necessidades evoluem, vender a casa mantendo usufruto vitalício está a tornar-se uma opção cada vez mais racional e sustentável.

No fundo, é uma solução que permite algo simples, mas essencial: continuar em casa, com maior segurança financeira e tranquilidade para o futuro.

VENDER NA PRIMAVERA – 7 dicas para preparar a sua casa para as visitas

A Primavera é, tradicionalmente, uma das melhores épocas para vender casa. Os dias são mais longos, há mais luz natural e os compradores estão mais ativos no mercado. No entanto, colocar o imóvel à venda nesta altura não é suficiente, é fundamental garantir que está preparado para causar uma excelente primeira impressão.

Se está a pensar vender na primavera, estes sete pontos podem fazer toda a diferença nas visitas.

1. Aproveite ao máximo a luz natural

A Primavera oferece uma vantagem clara: mais horas de luz. Abra estores e cortinas, limpe vidros e elimine obstáculos que bloqueiem a entrada de luz. Casas luminosas transmitem imediatamente sensação de espaço, conforto e bem-estar.

2. Cuide dos espaços exteriores

Varandas, terraços e jardins ganham protagonismo nesta estação. Pequenos gestos como aparar plantas, lavar pavimentos exteriores ou adicionar alguns apontamentos verdes podem transformar completamente a perceção do imóvel. O exterior deve convidar a imaginar momentos ao ar livre.

3. Faça pequenas reparações

Portas que rangem, torneiras a pingar ou paredes com marcas visíveis podem criar uma perceção de desleixo. Antes de iniciar as visitas, assegure-se de que tudo está funcional e cuidado. Pequenas intervenções têm um impacto significativo na confiança do comprador.

4. Despersonalize os espaços

O objetivo é permitir que quem visita consiga imaginar-se a viver ali. Fotografias muito pessoais, objetos demasiado específicos ou decoração excessivamente marcada podem dificultar essa identificação. Um ambiente neutro, mas acolhedor, facilita a projeção.

5. Reorganize e simplifique

Menos é mais. Retirar mobiliário em excesso melhora a circulação e valoriza a dimensão das divisões. A organização transmite a ideia de que a casa é prática e bem mantida, dois fatores que pesam bastante na decisão de compra.

6. Garanta um ambiente fresco e agradável

A Primavera pede leveza. Aposte em têxteis mais claros, areje a casa antes das visitas e evite odores intensos. Um ambiente limpo e fresco contribui para uma experiência positiva e memorável.

7. Prepare a casa como se fosse a primeira vez

Mesmo que já viva no imóvel há anos, tente olhá-lo com o olhar de quem o visita pela primeira vez. Pergunte-se: o que destaca? O que pode distrair? Pequenos ajustes estratégicos podem valorizar pontos fortes que passam despercebidos no dia a dia.

COMPRAR CASA – Pode ser até 550 euros mais barato por mês do que arrendar

A decisão entre comprar casa ou arrendar sempre foi um dos grandes dilemas no mercado imobiliário. No entanto, o contexto atual veio alterar de forma significativa esta equação. Com rendas historicamente elevadas e uma recente descida das taxas de juro, comprar casa pode, em muitos casos, representar uma poupança mensal que chega aos 550 euros.

Arrendar está cada vez mais caro

O mercado de arrendamento continua marcado por escassez de oferta e valores elevados, sobretudo nas principais cidades. A procura supera largamente a disponibilidade de imóveis, pressionando os preços para níveis que absorvem uma parte substancial do rendimento das famílias.

Em muitas situações, a renda mensal de um apartamento de tipologia média ultrapassa valores que, há poucos anos, seriam considerados prestação bancária para compra de habitação própria. Esta realidade tem levado muitos agregados a reavaliar as suas opções e a olhar para a compra como uma alternativa financeiramente mais equilibrada.

A descida dos juros mudou o cenário

Após o pico das taxas de juro verificado desde 2022, o alívio gradual na política monetária trouxe algum equilíbrio às prestações do crédito à habitação. Com juros mais moderados, o valor mensal a pagar ao banco tornou-se mais previsível e, em muitos casos, inferior ao custo do arrendamento.

Esta diferença é hoje particularmente visível em várias zonas urbanas. Em cidades como o Porto, por exemplo, arrendar um apartamento com cerca de 80 metros quadrados pode ultrapassar os 1 390 euros mensais. Já a compra de um imóvel com características semelhantes poderá implicar encargos na ordem dos 1 040 euros por mês, mesmo considerando despesas como IMI, condomínio e manutenção.

A diferença aproxima-se dos 350 a 550 euros mensais, dependendo do caso concreto, o que representa uma poupança significativa ao longo do ano.

Comprar deixou de ser apenas estabilidade, passou a ser estratégia

Durante muitos anos, comprar casa foi encarado sobretudo como uma decisão associada à estabilidade pessoal e familiar. Hoje, para muitas famílias, trata-se também de uma escolha racional do ponto de vista financeiro.

Enquanto a renda é um custo sem retorno patrimonial, a prestação do crédito contribui para a construção de património próprio. Além disso, a previsibilidade da prestação bancária, especialmente em contratos com taxa fixa ou mista, permite maior controlo sobre o orçamento familiar.

A decisão continua a depender do perfil de cada família

Naturalmente, comprar casa implica um investimento inicial, custos de escritura e entrada própria, fatores que devem ser cuidadosamente ponderados. No entanto, num mercado onde as rendas continuam elevadas e os juros mostram sinais de estabilização, a diferença mensal entre comprar e arrendar tornou-se demasiado relevante para ser ignorada.

Em muitos casos, comprar casa deixou de ser apenas um objetivo a longo prazo e passou a ser, simplesmente, a opção mais económica no presente.

HABITAÇÃO – Pacote fiscal aprovado promete acelerar construção e arrendamento em Portugal

O Governo português aprovou um novo pacote fiscal com impacto direto no setor da habitação, reunindo medidas que pretendem estimular a construção, incentivar o arrendamento e acelerar processos urbanísticos. O objetivo é claro: aumentar a oferta de casas no mercado e contribuir para um acesso mais equilibrado à habitação, numa altura em que a procura continua elevada em muitas regiões do país.

Medidas fiscais para impulsionar a habitação

Entre as principais alterações destaca-se a redução do IVA na construção para 6%, uma medida que poderá tornar mais viável a construção de novas habitações e a reabilitação de imóveis existentes. Este ajuste fiscal surge como um incentivo importante para promotores e proprietários que pretendem investir em novos projetos ou recuperar património devoluto.

O pacote contempla também mudanças no IRS aplicado às rendas, com especial enfoque nos contratos até 2 300 euros mensais, procurando tornar o mercado de arrendamento mais atrativo e equilibrado, tanto para proprietários como para inquilinos. Ao aliviar a carga fiscal sobre este segmento, o Governo pretende incentivar a colocação de mais imóveis no mercado de arrendamento, sobretudo nas zonas com maior pressão habitacional.

Licenciamentos mais rápidos e menos burocracia

Outro eixo fundamental deste pacote fiscal passa pela simplificação dos processos de licenciamento urbanístico. A morosidade dos licenciamentos tem sido apontada como um dos maiores entraves à construção e reabilitação em Portugal, atrasando a entrada de novas casas no mercado.

Com procedimentos mais ágeis e menos complexos, espera-se que novos projetos imobiliários possam avançar com maior rapidez, reduzindo o tempo entre a conceção e a entrega das habitações. Este fator poderá ter um impacto significativo na capacidade de resposta do mercado face à crescente procura.

Impacto no mercado imobiliário

A combinação entre redução de impostos e simplificação administrativa poderá trazer um novo dinamismo ao setor. Promotores passam a enfrentar menos custos e menos barreiras à entrada de novos projetos, enquanto proprietários beneficiam de encargos mais controlados na reabilitação de imóveis.

Para os arrendatários, estas medidas poderão traduzir-se numa maior oferta de habitação e numa pressão mais moderada sobre os preços, sobretudo nos centros urbanos onde a procura continua a superar a oferta.

O que esperar nos próximos meses

Apesar da aprovação do pacote fiscal, as medidas ainda seguem para análise detalhada nas comissões parlamentares, podendo sofrer ajustes técnicos antes da promulgação final e publicação em Diário da República. Até lá, promotores, investidores e proprietários podem começar a preparar-se para um novo enquadramento fiscal e administrativo.

Embora os efeitos não sejam imediatos, espera-se que este pacote contribua para um mercado habitacional mais equilibrado, com mais casas disponíveis, maior eficiência nos processos e um acesso mais facilitado à habitação a médio prazo.