Há 105 anos “fez-se” luz na Figueira da Foz

A Figueira da Foz é uma cidade com uma história rica e marcada por grandes transformações. Entre essas mudanças está a chegada da eletricidade, um acontecimento que alterou profundamente a vida da população e contribuiu para o desenvolvimento económico e social do concelho.

Dentro da liberdade que me foi dada pela Imoexpansão, decidi recordar alguns momentos dessa história, numa homenagem aos 105 anos da eletrificação da Figueira da Foz e, simultaneamente, a uma parte importante da minha vida profissional: foram 40 anos dedicados ao setor elétrico.

A chegada da eletricidade à Figueira da Foz

Foi no dia 20 de julho de 1921 que a iluminação pública e particular elétrica foi ligada, pela primeira vez, no Bairro Novo e na Esplanada Silva Guimarães, na cidade da Figueira da Foz.

Hoje, ter eletricidade em casa, nos estabelecimentos comerciais ou nas ruas é algo que consideramos absolutamente normal. Mas, naquela época, a chegada da iluminação elétrica representava um enorme avanço.

A eletricidade significava modernidade, maior segurança nas ruas e novas possibilidades para o comércio, para a indústria e para a vida quotidiana dos figueirenses.

Pouco depois, em agosto de 1921, seria celebrado um contrato entre a Companhia Elétrica Figueirense e a Assembleia Figueirense, permitindo o início do fornecimento de energia elétrica.

Estavam assim lançadas as bases de um processo que, ao longo das décadas seguintes, levaria a eletricidade a todo o concelho.

1927: a criação dos Serviços Municipalizados

Um momento particularmente importante ocorreu em 1927, com a criação oficial dos Serviços Municipalizados de Eletricidade e Água da Câmara Municipal da Figueira da Foz.

Durante décadas, estes serviços tiveram um papel essencial na expansão das redes de eletricidade e água e no acompanhamento do crescimento das diferentes localidades do concelho.

A eletrificação foi avançando progressivamente, levando a energia elétrica a cada vez mais famílias e empresas.

1971: todo o concelho passa a ter eletricidade

Um dos aspetos menos conhecidos desta história é que o concelho da Figueira da Foz ficou totalmente eletrificado em julho de 1971, sendo frequentemente referido como o primeiro concelho português a alcançar essa cobertura.

O último lugar a receber eletricidade foi a Murtinheira, em Quiaios.

Com a chegada da energia elétrica àquela povoação, todas as localidades do concelho passaram finalmente a dispor de eletricidade.

Foi um momento de enorme importância para a população. A eletrificação significava melhores condições de vida, novas oportunidades económicas e uma aproximação entre as diferentes comunidades do concelho.

Para quem viveu esse período, a chegada da eletricidade às últimas povoações não foi apenas uma obra de infraestrutura: foi uma verdadeira transformação na vida das pessoas.

Os trabalhadores e a integração na EDP

Em janeiro de 1980, os trabalhadores do setor elétrico dos Serviços Municipalizados da Figueira da Foz foram integrados na Eletricidade de Portugal – EDP/EP, por força da legislação governamental.

Foi o início de uma nova etapa para muitos profissionais do setor, entre os quais me encontrava.

Depois da integração na EDP, os problemas financeiros que por vezes afetavam os Serviços Municipalizados deixaram de provocar os mesmos sobressaltos.

Uma curiosidade dos anos 70

Há, contudo, uma história desses anos que merece ser recordada.

Durante a década de 1970, as dificuldades de tesouraria dos Serviços Municipalizados eram, por vezes, grandes. Quando chegava o final do mês, os funcionários aguardavam pelo pagamento de um dos grandes clientes da época: a Empresa Vidreira da Fontela.

Era necessário que a empresa pagasse a sua fatura de energia para que os Serviços Municipalizados pudessem fazer face ao pagamento dos vencimentos dos trabalhadores.

Hoje, esta situação pode parecer-nos surpreendente, mas faz parte da realidade vivida naquela época e das memórias de quem trabalhou no setor elétrico da Figueira da Foz.

105 anos de uma história que merece ser preservada

Em 20 de julho de 2026, passam precisamente 105 anos sobre a chegada da iluminação elétrica ao Bairro Novo e à Esplanada Silva Guimarães.

A história da eletricidade é também a história do desenvolvimento da Figueira da Foz.

Ao longo destes 105 anos, a energia elétrica acompanhou a evolução da cidade e das suas freguesias, contribuindo para o crescimento da indústria, do comércio, dos serviços e para a melhoria das condições de vida da população.

Para mim, recordar esta história tem ainda um significado especial. Foram 40 anos da minha vida ligada ao setor elétrico, durante os quais acompanhei uma parte importante dessa evolução.

Este artigo é apenas um pequeno apontamento para assinalar os 105 anos da eletrificação da Figueira da Foz. Há certamente muitas outras histórias, pessoas e acontecimentos que merecem ser recordados.

E talvez, numa próxima oportunidade, possa voltar a este tema e partilhar outras memórias de uma época em que levar a eletricidade a uma povoação significava levar muito mais do que luz: significava levar progresso, desenvolvimento e novas oportunidades.

Figueira da Foz: uma terra com história

Na Imoexpansão, acreditamos que conhecer a história da Figueira da Foz é também conhecer melhor a terra onde vivemos, trabalhamos e ajudamos famílias a encontrar a sua casa.

É essa ligação à cidade, às suas pessoas e à sua história que torna cada imóvel e cada lugar muito mais do que simplesmente uma morada.

Figueira da Foz é também memória, identidade e futuro.

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